O governo federal decidiu adiar a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump sinalizar a possibilidade de um diálogo direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo fontes diplomáticas e integrantes do governo, a cautela foi motivada pela tentativa de preservar a aproximação entre os dois líderes e evitar ruídos que prejudiquem o diálogo bilateral.

A medida, que estava na pauta do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) na semana passada, acabou sendo retirada da votação.

No fim de agosto, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) acionou a Camex para avaliar a adoção da Lei de Reciprocidade como resposta ao tarifaço de 50% imposto pelo governo Trump a produtos brasileiros. Pelo cronograma, o Gecex teria até 30 dias para apresentar relatório e definir uma estratégia de retaliação.

Na semana passada, embora o colegiado tenha se reunido, a aplicação da lei contra os EUA não foi apreciada. Uma nova reunião da Camex pode ocorrer ainda nesta semana.

Diplomatas afirmam que a decisão reflete tratativas de bastidor para criar espaço a um avanço nas negociações. Além disso, há receio de que uma retaliação formal provoque novas sanções dos Estados Unidos.

O adiamento ganhou mais peso após a fala de Trump na Assembleia Geral da ONU, quando afirmou ter conversado brevemente com Lula e que ambos haviam acordado em dialogar nesta semana.

Diante da possibilidade de encontro, até então improvável, a avaliação interna é de que o Brasil deve dobrar a cautela em qualquer ação que possa comprometer a reaproximação. Nesse contexto, a aplicação da lei — considerada uma medida de retaliação — tornou-se ainda mais sensível.

Fonte: G1

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