Trump https://radarmetropolitanopr.com O Portal de Notícias da Metrópole do Paraná Sun, 12 Oct 2025 20:20:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://radarmetropolitanopr.com/wp-content/uploads/2025/06/cropped-logo-redondo-site-32x32.png Trump https://radarmetropolitanopr.com 32 32 Alckmin revela pedido de Lula a Trump: suspensão imediata da tarifa de 40% sobre produtos brasileiros https://radarmetropolitanopr.com/2025/10/12/alckmin-revela-pedido-de-lula-a-trump-suspensao-imediata-da-tarifa-de-40-sobre-produtos-brasileiros/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/10/12/alckmin-revela-pedido-de-lula-a-trump-suspensao-imediata-da-tarifa-de-40-sobre-produtos-brasileiros/#comments Sun, 12 Oct 2025 22:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=5336
Foto: REUTERS/Carla Carniel

Durante evento em Aparecida neste domingo (12), o presidente em exercício Geraldo Alckmin confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu diretamente ao norte-americano Donald Trump que suspenda a tarifa de 40% imposta a produtos brasileiros já durante a fase de negociação entre os dois países.

“O pedido do presidente Lula para o presidente Trump foi que, enquanto negocia, suspenda os 40%. Esse foi o pleito”, disse Alckmin a jornalistas.

O telefonema entre Lula e Trump ocorreu em 6 de outubro, e marcou o primeiro contato direto entre os dois desde que o republicano voltou ao poder. Na conversa, o presidente americano designou o secretário de Estado Marco Rubio para conduzir as tratativas com Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad.

Marco Rubio entra no tabuleiro diplomático

Apesar do histórico de tensões políticas entre setores progressistas e o senador republicano, Alckmin minimizou qualquer risco de impasse.

“Não acredito [em obstáculos]. A orientação do presidente Trump foi muito clara: queremos diálogo e entendimento. O Brasil sempre defendeu isso”, afirmou.

Rubio deve se reunir com Mauro Vieira na próxima sexta-feira (17), em Washington, para discutir o tarifaço e outras medidas restritivas adotadas pelos Estados Unidos, como sanções aplicadas com base na Lei Magnitsky e a revogação de vistos de autoridades brasileiras.

Impacto do tarifaço

Segundo dados divulgados por Alckmin, 42% das exportações brasileiras para os EUA estão fora da sobretaxa, mas cerca de 34% dos produtos seguem diretamente afetados pela tarifa, que chega a 40%.

O governo brasileiro tenta evitar que o aumento provoque perda de competitividade de setores estratégicos, como o agronegócio, a indústria química e de transformação.

Lula e Trump devem se encontrar novamente

A reaproximação diplomática avança em paralelo às negociações técnicas. Lula e Trump manifestaram intenção de se reunir pessoalmente em breve — o presidente brasileiro aventou a possibilidade de encontro na Cúpula da ASEAN, na Malásia, e disse estar disposto a viajar aos Estados Unidos “para consolidar o diálogo”.

O gesto é visto como uma tentativa de reduzir a tensão comercial e reposicionar o Brasil nas discussões econômicas com Washington, em meio a uma conjuntura global marcada por disputas tarifárias e reconfiguração das cadeias de produção.

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Flávio Dino barra efeitos de sanções estrangeiras sem aval do STF https://radarmetropolitanopr.com/2025/08/18/flavio-dino-barra-efeitos-de-sancoes-estrangeiras-sem-aval-do-stf/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/08/18/flavio-dino-barra-efeitos-de-sancoes-estrangeiras-sem-aval-do-stf/#respond Mon, 18 Aug 2025 20:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=4141

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino decidiu nesta segunda-feira (18) que empresas e instituições que atuam no Brasil não podem aplicar restrições decorrentes de “atos unilaterais estrangeiros” sem autorização expressa da Corte.

Segundo Dino, ficam vedadas “imposições, restrições de direitos ou instrumentos de coerção executados por pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no país, bem como aquelas que mantenham filial ou qualquer atividade profissional, comercial ou de intermediação no mercado brasileiro, decorrentes de determinações constantes em atos unilaterais estrangeiros.”

A medida foi tomada no âmbito de um processo movido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) contra ações judiciais abertas por municípios brasileiros em tribunais da Inglaterra.

O ministro ressaltou ainda que a regra se estende a “leis estrangeiras, atos administrativos, ordens executivas e diplomas similares”, e que qualquer bloqueio de ativos, cancelamento de contratos ou medidas semelhantes só podem ocorrer com aval do STF.

Dino determinou que o Banco Central, a Febraban e outras instituições do sistema financeiro nacional fossem notificadas sobre a decisão.

Contexto: a Lei Magnitsky

A decisão de Dino ocorre em meio ao debate sobre a aplicação da Lei Magnitsky, legislação dos Estados Unidos que autoriza sanções contra cidadãos estrangeiros. A norma permite congelamento de ativos, cancelamento de cartões de crédito e bloqueio de serviços financeiros em bancos internacionais, além da proibição de entrada em território americano.

O instrumento foi aplicado contra o ministro Alexandre de Moraes em julho, por meio de uma ordem do Departamento do Tesouro dos EUA, baseada em decreto assinado pelo então presidente Donald Trump em 2017.

Na prática, Dino reforçou que o Brasil não pode aplicar automaticamente medidas de sanções externas sem que o Supremo se manifeste:
“Qualquer bloqueio de ativos, cancelamento de contratos ou outras operações dependem de expressa autorização do STF.”

Fonte: G1

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Lula se solidariza com Moraes e acusa Trump de traição diplomática e pressão comercial https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/30/lula-se-solidariza-com-moraes-e-acusa-trump-de-traicao-diplomatica-e-pressao-comercial/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/30/lula-se-solidariza-com-moraes-e-acusa-trump-de-traicao-diplomatica-e-pressao-comercial/#respond Thu, 31 Jul 2025 00:10:25 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=3612 Manifestação ocorre horas após decreto dos EUA acusar Moraes de violações de direitos humanos e impor sanções ao Brasil
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou uma nota oficial nesta quarta-feira (30) condenando com veemência a interferência do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Judiciário brasileiro. Lula classificou como “inaceitável” o ataque ao ministro Alexandre de Moraes, alvo de sanções unilaterais de Washington com base na Lei Magnitsky — norma que permite punições por supostas violações de direitos humanos.

“A interferência do governo norte-americano na Justiça brasileira é inaceitável”, diz a nota.
“O governo brasileiro se solidariza com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, alvo de sanções motivadas pela ação de políticos brasileiros que traem nossa pátria e nosso povo em defesa dos próprios interesses.”

Contexto da crise
A manifestação do presidente ocorre poucas horas após Trump acusar Moraes de “perseguição a cidadãos americanos” e “violação de direitos humanos” em um decreto que também impõe sobretaxas de 50% a produtos brasileiros. As ações foram justificadas como resposta ao enquadramento das big techs à legislação nacional e aos julgamentos relacionados à tentativa de golpe de Estado atribuída a Jair Bolsonaro — aliado político de Trump.

Lula reage com firmeza
Lula não apenas defendeu Moraes como apontou o risco diplomático envolvido. Segundo ele, as medidas têm “motivação política” e ameaçam diretamente a soberania nacional:

“A motivação política das medidas contra o Brasil atenta contra a soberania nacional e a própria relação histórica entre os dois países.”

O presidente reforçou que todas as empresas e cidadãos, inclusive plataformas digitais, devem obedecer às leis brasileiras. “Justiça não se negocia”, declarou.

Independência dos Poderes e defesa da democracia
O comunicado também sublinhou a importância da independência entre os Poderes, destacando que qualquer tentativa de enfraquecimento do Judiciário representa uma ameaça ao regime democrático:

“Um dos fundamentos da democracia e do respeito aos direitos humanos no Brasil é a independência do Poder Judiciário e qualquer tentativa de enfraquecê-lo constitui ameaça ao próprio regime democrático.”

Resposta econômica em curso
Além da crítica política, o Planalto classificou como “injustificável” o uso de argumentos políticos para impor barreiras comerciais. O governo já iniciou uma análise de impacto e elabora medidas para mitigar prejuízos às empresas, trabalhadores e famílias brasileiras atingidas pela decisão americana.

“O Brasil segue disposto a negociar, mas sem abrir mão dos instrumentos de defesa nacional previstos em lei.”

O embate direto entre Lula e Trump revela um novo nível de tensão diplomática, com contornos ideológicos e comerciais. Ao sair em defesa de Moraes, o presidente brasileiro projeta uma imagem de firmeza institucional, ao mesmo tempo em que denuncia um ataque político disfarçado de sanção legal. A disputa escancara os efeitos colaterais de um mundo onde Justiça, tecnologia e soberania se cruzam no centro do tabuleiro geopolítico.

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Tarifas contra o Brasil acirram tensão entre Trump e Congresso norte-americano https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/25/tarifas-contra-o-brasil-acirram-tensao-entre-trump-e-congresso-norte-americano/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/25/tarifas-contra-o-brasil-acirram-tensao-entre-trump-e-congresso-norte-americano/#respond Fri, 25 Jul 2025 21:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=3465

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi acusado por senadores democratas de “claro abuso de poder” após impor tarifas de 50% sobre importações do Brasil. Em uma carta enviada nesta quinta-feira (24) à Casa Branca, 11 parlamentares da oposição afirmaram que o republicano está utilizando “a economia americana para interferir em favor de um amigo”, referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Escrevemos para expressar sérias preocupações sobre o claro abuso de poder presente em sua recente ameaça de iniciar uma guerra comercial com o Brasil. (…) Interferir no sistema legal de uma nação soberana estabelece um precedente perigoso, provoca uma guerra comercial desnecessária e coloca cidadãos e empresas americanas em risco de retaliação”, escreveram os senadores.

Os democratas — minoria no Senado — também alertam que uma retaliação brasileira elevaria os preços de diversos produtos nos Estados Unidos, afetando famílias e empresas locais. Eles destacam que os EUA importam mais de US$ 40 bilhões por ano do Brasil, sendo US$ 2 bilhões apenas em café. O comércio bilateral, segundo os senadores, é responsável por cerca de 130 mil empregos norte-americanos.

Outro ponto de preocupação abordado na carta é o risco de uma aproximação maior entre o Brasil e a China. “Usar todo o peso da economia americana para interferir nesses processos em favor de um amigo é um grave abuso de poder, enfraquece a influência dos EUA no Brasil e pode prejudicar nossos interesses mais amplos na região. (…) Uma guerra comercial com o Brasil também aproximaria o país da República Popular da China (RPC) em um momento em que os EUA precisam combater agressivamente a influência chinesa na América Latina”, alertaram.

Nesta sexta-feira (25), uma comissão de senadores brasileiros embarca para os Estados Unidos na tentativa de estabelecer um canal de diálogo sobre o chamado “tarifaço”. No entanto, segundo informações do jornalista Valdo Cruz, o governo Lula teria sido informado de que Trump não autorizou qualquer conversa formal da Casa Branca com autoridades brasileiras.

Na quinta-feira (24), outro elemento acirrou o embate entre os países: o encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, demonstrou interesse do governo norte-americano nos minerais estratégicos brasileiros.

Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a soberania nacional em discurso:
“Temos todo o nosso petróleo para proteger. Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro”, declarou Lula.

Leia a íntegra da carta abaixo:

“Prezado Presidente Trump,

Escrevemos para expressar sérias preocupações sobre o claro abuso de poder presente em sua recente ameaça de iniciar uma guerra comercial com o Brasil. Os Estados Unidos e o Brasil têm questões comerciais legítimas que devem ser discutidas e negociadas. No entanto, a ameaça de tarifas feita por sua administração claramente não se refere a isso. Tampouco se trata de um déficit comercial bilateral, já que os EUA tiveram um superávit de US$ 7,4 bilhões em bens com o Brasil em 2024 e não registram déficit comercial com o país desde 2007.

Na verdade — como o senhor afirma explicitamente em sua carta ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva — a ameaça de impor tarifas de 50% sobre todas as importações do Brasil e a ordem para que o Representante de Comércio dos EUA inicie uma investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 têm como principal objetivo forçar o sistema judiciário independente do Brasil a interromper a acusação contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

Interferir no sistema legal de uma nação soberana estabelece um precedente perigoso, provoca uma guerra comercial desnecessária e coloca cidadãos e empresas americanas em risco de retaliação. O Sr. Bolsonaro é um cidadão brasileiro sendo processado nos tribunais brasileiros por ações alegadamente cometidas sob jurisdição nacional. Ele é acusado de tentar minar os resultados de uma eleição democrática no Brasil e de planejar um golpe de Estado.

Usar todo o peso da economia americana para interferir nesses processos em favor de um amigo é um grave abuso de poder, enfraquece a influência dos EUA no Brasil e pode prejudicar nossos interesses mais amplos na região. O anúncio de sua administração em 18 de julho de 2025, de sanções de visto contra autoridades judiciais brasileiras envolvidas no caso do Sr. Bolsonaro, indica — mais uma vez — a disposição de sua administração em priorizar sua agenda pessoal em detrimento dos interesses do povo americano.

Suas ações aumentariam os custos para famílias e empresas americanas. Os americanos importam mais de US$ 40 bilhões por ano do Brasil, incluindo quase US$ 2 bilhões em café. O comércio entre EUA e Brasil sustenta cerca de 130 mil empregos nos Estados Unidos, que estão em risco diante da ameaça de tarifas elevadas. O Brasil também prometeu retaliar, e o senhor prometeu retaliar em resposta — o que significa que os exportadores americanos sofrerão e os impostos sobre importações para os americanos aumentarão além do nível de 50% que o senhor ameaçou.

Uma guerra comercial com o Brasil também aproximaria o país da República Popular da China (RPC) em um momento em que os EUA precisam combater agressivamente a influência chinesa na América Latina. Empresas estatais e ligadas ao Estado chinês estão investindo fortemente no Brasil, incluindo vários projetos portuários em andamento. Recentemente, o China State Railway Group assinou um Memorando de Entendimento para estudar um projeto ferroviário transcontinental.

Essas considerações não são exclusivas do Brasil. Em toda a América Latina, a RPC está trabalhando para ampliar sua influência por meio da Iniciativa do Cinturão e Rota. Estamos preocupados que suas ações para minar um sistema judicial independente apenas aumentem o ceticismo em relação à influência americana na região e deem mais credibilidade à agenda de autoridades e empresas estatais chinesas. A mesma tendência também está ocorrendo no Leste e Sudeste Asiático.

Os objetivos principais dos EUA na América Latina devem ser o fortalecimento de relações econômicas mutuamente benéficas, a promoção de eleições democráticas livres e justas e o combate à influência da RPC. Instamos o senhor a reconsiderar suas ações e a priorizar os interesses econômicos dos americanos, que desejam previsibilidade — não outra guerra comercial”.

Atenciosamente,

Tim Kaine, Senador dos Estados Unidos
Jeanne Shaheen, Senadora dos Estados Unidos
Adam B. Schiff, Senador dos Estados Unidos
Richard J. Durbin, Senador dos Estados Unidos
Peter Welch, Senador dos Estados Unidos
Kirsten Gillibrand, Senadora dos Estados Unidos
Mark R. Warner, Senador dos Estados Unidos
Catherine Cortez Masto, Senadora dos Estados Unidos
Michael F. Bennet, Senador dos Estados Unidos
Jacky Rosen, Senadora dos Estados Unidos
Raphael Warnock, Senador dos Estados Unidos

Fonte: G1

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Trump tenta pressionar o Brasil, mas efeito é contrário, diz Washington Post https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/21/trump-tenta-pressionar-o-brasil-mas-efeito-e-contrario-diz-washington-post/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/21/trump-tenta-pressionar-o-brasil-mas-efeito-e-contrario-diz-washington-post/#respond Mon, 21 Jul 2025 19:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=3278

Um artigo publicado pelo jornal The Washington Post neste domingo (21/07) afirma que o “bullying praticado por [Donald] Trump contra o Brasil está saindo pela culatra”, em referência à imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi tomada como resposta ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Assinado pelo colunista de assuntos internacionais Ishaan Tharoor, o texto argumenta que a postura de força adotada por Trump acabou, na prática, fortalecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem ganhado apoio inclusive de setores das elites brasileiras.

Tharoor observa que, diferentemente de outras nações latino-americanas que cederam à pressão norte-americana, “a economia brasileira é maior e mais diversificada”, e Lula aproveitou o cenário para confrontar Washington. Segundo ele, “as ameaças tarifárias de Trump levaram outros países da região a se curvarem aos EUA, mas o Brasil reagiu de forma diferente”.

A crise diplomática ganhou força na sexta-feira (19), quando a Polícia Federal, sob ordens do ministro Alexandre de Moraes, realizou buscas em endereços de Jair Bolsonaro, que foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica e está impedido de deixar sua residência à noite, além de não poder se comunicar com outros investigados ou diplomatas estrangeiros.

Em resposta, o governo de Donald Trump suspendeu o visto de entrada de Moraes nos EUA, alegando se tratar de uma “caça às bruxas política” por parte do STF contra o ex-presidente.

Fontes diplomáticas ouvidas pelo jornal sob anonimato criticaram fortemente a postura da Casa Branca. Um integrante do Departamento de Estado declarou:

“É difícil conceber uma ação mais prejudicial à credibilidade dos EUA na promoção da democracia do que sancionar um juiz da Suprema Corte de outro país por discordância jurídica”.

O artigo também destaca que Lula sai fortalecido do embate:

“Para Lula, cujos aliados de esquerda enfrentam uma eleição difícil em 2026, o momento é uma bênção. Pesquisas indicam renovação do apoio ao governo diante da intimidação americana provocada por Bolsonaro. As tarifas ainda afetam elites empresariais que normalmente apoiam a oposição a Lula”.

Outra fonte brasileira afirmou ao jornal:

“O Papai Noel chegou cedo para o presidente Lula, e o presente foi enviado por Trump por meio desse ataque atrapalhado à soberania do Brasil”.

As tarifas anunciadas em 9 de julho devem entrar em vigor em 1º de agosto. Atualmente, os EUA são o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás da China e da União Europeia. Segundo analistas e membros do governo ouvidos pela BBC News Brasil, é improvável que o governo americano volte atrás, mesmo com os impactos da medida.

Fonte: BBC

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Conflito político entre Lula e Trump acirra tensões e trava negociações sobre tarifas https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/18/conflito-politico-entre-lula-e-trump-acirra-tensoes-e-trava-negociacoes-sobre-tarifas/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/18/conflito-politico-entre-lula-e-trump-acirra-tensoes-e-trava-negociacoes-sobre-tarifas/#respond Fri, 18 Jul 2025 13:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=3190
(Imagem: Reprodução/Instagram | Ricardo Stuckert/PR) Fonte: MG

O impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou novos contornos políticos após declarações públicas dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A menos de duas semanas da entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros, o cenário se agrava com a escalada verbal entre os dois líderes — o que, segundo o setor privado, pode inviabilizar uma solução diplomática.

Em entrevista à CNN, Lula criticou duramente a decisão de Trump e a forma como o anúncio foi feito, por carta divulgada em redes sociais. Em resposta, a Casa Branca afirmou que Trump é “o líder do mundo livre” e que sua postura reflete uma liderança forte, não imperial.

Além do embate pessoal, Lula ameaçou novas taxações sobre big techs americanas, medida que agrava o atrito com o governo norte-americano e reforça as críticas de Washington sobre ambiente regulatório e práticas ambientais no Brasil. A ausência de um canal direto e eficaz de negociação com a Casa Branca preocupa empresários e representantes da indústria e do agronegócio brasileiro, que temem prejuízos bilionários com o tarifaço.

Enquanto o governo Lula busca saídas internas, Jair Bolsonaro se colocou à disposição para tentar intermediar um diálogo com Trump. O gesto, somado à atuação de seu filho Eduardo Bolsonaro nos EUA, evidencia a disputa política em torno de uma crise que já ultrapassa os limites comerciais.

Fonte: CNN

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Tarcísio diz que tarifa de Trump exige “união de esforços” e prioriza interesse de empresas e produtores https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/13/tarcisio-diz-que-tarifa-de-trump-exige-uniao-de-esforcos-e-prioriza-interesse-de-empresas-e-produtores/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/13/tarcisio-diz-que-tarifa-de-trump-exige-uniao-de-esforcos-e-prioriza-interesse-de-empresas-e-produtores/#respond Sun, 13 Jul 2025 15:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=3010 Governador de São Paulo adota tom pragmático e nega interferência no STF sobre viagem de Bolsonaro aos EUA

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou neste sábado (12) que a resposta brasileira à tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exige “união de esforços” e menos disputa política. Durante visita à cidade de Cerquilho (SP), o governador defendeu uma postura conjunta entre governo federal, estados e setor produtivo para lidar com o impacto da medida.

“O momento demanda sinergia. É algo complicado para o Brasil, para segmentos da nossa indústria e do nosso agronegócio. Precisamos estar de mãos dadas para resolver”, declarou.

Prioridade: empregos e produção

Ao ser questionado sobre a proposta de ampla anistia em troca do fim do tarifaço — articulada pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) —, Tarcísio não rejeitou nem endossou a ideia, mas reforçou que sua prioridade é defender os interesses econômicos de São Paulo.

“Neste momento, eu tenho que olhar para o estado. Estou falando de empregos e paz de família. Isso precisa estar em primeiro lugar”, afirmou o governador.

São Paulo é o principal estado exportador do Brasil para os Estados Unidos, o que torna a nova tarifa especialmente sensível à economia paulista.

Reunião com diplomata dos EUA e recado ao STF

Na sexta-feira (11), Tarcísio já havia se reunido com Gabriel Escobar, encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, para tratar do impacto das tarifas e pedir revisão da decisão. A medida está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

O governador também negou que tenha feito ligações a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para interceder a favor de Jair Bolsonaro, que pretende viajar aos EUA em meio à crise diplomática gerada pela nova política tarifária.

“Assinei alguma petição? Não. Isso é bobagem”, reagiu ao ser questionado sobre o suposto contato com o STF.

A declaração rebate informações de bastidores sobre uma possível articulação para que o ex-presidente possa negociar diretamente com Trump.

Com postura firme, Tarcísio busca liderar uma frente de diálogo técnico e pragmático, deixando claro que o foco, neste momento, deve ser econômico — e não ideológico.

Fonte: gazeta do povo

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1.500 toneladas de pescados ficam nos portos: EUA congelam mercado após sobretaxa https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/11/1-500-toneladas-de-pescados-ficam-nos-portos-eua-congelam-mercado-apos-sobretaxa/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/11/1-500-toneladas-de-pescados-ficam-nos-portos-eua-congelam-mercado-apos-sobretaxa/#comments Fri, 11 Jul 2025 19:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=2954 Empresários suspendem embarques por temer prejuízos com nova taxação de 50%, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.
Navio cargueiro

A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos já começa a cobrar seu preço. Pelo menos 1.500 toneladas de pescados brasileiros — entre peixes e frutos do mar — deixaram de ser exportadas aos EUA desde o anúncio do tarifaço de 50% imposto por Donald Trump, segundo a Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados).

Contêineres seguem parados em portos da Bahia, Ceará e Pernambuco, à espera de uma definição. O motivo da suspensão? O receio do setor quanto ao impacto financeiro da medida. Como os produtos levam até três semanas para chegar ao território norte-americano, há incerteza sobre quais valores serão cobrados na chegada e como isso afetará os contratos em andamento.

“A exportação foi paralisada porque os compradores nos EUA não querem correr o risco de pagar um valor imprevisível pelo pescado”, explicou Jairo Gund, diretor-executivo da Abipesca.

O impasse evidencia os efeitos colaterais imediatos do conflito comercial, que já ameaça a balança comercial de setores estratégicos. A cobrança da nova tarifa está programada para entrar em vigor no dia 1º de agosto — e o tempo está contra os exportadores brasileiros.

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Tarcísio confronta tarifaço de Trump e cobra Lula: “Narrativas não resolvem” https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/11/tarcisio-confronta-tarifaco-de-trump-e-cobra-lula-narrativas-nao-resolvem/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/11/tarcisio-confronta-tarifaco-de-trump-e-cobra-lula-narrativas-nao-resolvem/#comments Fri, 11 Jul 2025 17:59:05 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=2951 Governador paulista pressiona por revisão da sobretaxa americana e acusa Planalto de “bravata e narrativa”
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em meio à crise diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se reuniu nesta sexta-feira (11) com o encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, em Brasília. O encontro teve um objetivo direto: pedir a revisão imediata da tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros, com foco especial no impacto para a indústria e o agronegócio de São Paulo, o estado que mais exporta para os EUA.

Crítica ao Planalto: “Narrativas não resolvem”

Após a reunião, Tarcísio foi enfático: “É preciso negociar. Narrativas não resolverão o problema. A responsabilidade é de quem governa.” O governador criticou a condução do governo federal, cobrando “maturidade política” e alertando que “ideologia e aritmética não se misturam”.

Em tom direto, o recado de Tarcísio expôs o desconforto com o Planalto e reforçou a postura pragmática do governador, que vem tentando se equilibrar entre aliados bolsonaristas e os interesses econômicos de seu estado.

Apoio empresarial e diplomacia direta

Segundo o governador, será aberto um canal de diálogo com as empresas paulistas para a construção de um posicionamento técnico “lastreado em dados” contra a medida americana. Ele também destacou a importância estratégica da relação comercial entre os dois países e a necessidade de retomar o diálogo bilateral com urgência.

A Embaixada dos EUA emitiu nota minimizando o impacto político do encontro, mas reforçou a relevância econômica de São Paulo para os investimentos americanos no Brasil.

Bastidores políticos: almoço com Bolsonaro e alfinetada de Lula

Na mesma quinta-feira em que criticou Lula, Tarcísio almoçou com o ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília. O encontro foi publicado nas redes sociais, evidenciando o alinhamento entre os dois e sinalizando uma possível ação conjunta para tentar reverter o tarifaço.

A resposta do presidente Lula veio em tom ácido. Em entrevista, acusou Tarcísio de tentar esconder sua afinidade com Trump, ironizando: “Está cheio de lobo em pele de cordeiro por aí”.


Em um momento em que a diplomacia oficial se mostra fragilizada, Tarcísio assume o protagonismo político-econômico na crise comercial com os Estados Unidos. Ao cobrar responsabilidade do Planalto e articular com Washington, o governador se posiciona como voz ativa na defesa do setor produtivo, mirando tanto resultados práticos quanto dividendos políticos.

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Entenda a Seção 301 usada por Trump contra Lula e seus impactos: Guerra comercial à vista? https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/11/entenda-a-secao-301-usada-por-trump-contra-lula-e-seus-impactos-guerra-comercial-a-vista/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/11/entenda-a-secao-301-usada-por-trump-contra-lula-e-seus-impactos-guerra-comercial-a-vista/#comments Fri, 11 Jul 2025 10:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=2923 Investigação pode abrir caminho para sanções severas; Brasil vira alvo direto da Casa Branca em meio a crise diplomática.
Foto: EFE/EPA/AL DRAGO / POOL

Em meio à escalada de tensões entre Brasil e Estados Unidos, a carta enviada por Donald Trump ao presidente Lula trouxe mais do que um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros: determinou também a abertura imediata de uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. O dispositivo, poderoso e controverso, permite aos EUA apurar práticas comerciais consideradas desleais por países estrangeiros e retaliar com tarifas, sanções e restrições.

O que é a Seção 301?

Criada em 1974, a Seção 301 autoriza a Casa Branca a investigar barreiras tarifárias, políticas de comércio e até restrições digitais de outros países — como as mencionadas por Trump em relação ao Supremo Tribunal Federal, que, segundo ele, teria emitido “ordens de censura secretas e ilegais” a redes sociais dos EUA.

Esse mecanismo tem histórico de uso como instrumento de pressão econômica e diplomática. Foi utilizado contra o Brasil nos anos 1980 e, mais recentemente, contra a China — inclusive pelo próprio Trump e por Biden. Agora, volta ao centro das atenções, mirando o governo Lula.

A pressão vai além das tarifas

Segundo o economista e PhD em Relações Internacionais Igor Lucena, a Seção 301 é uma porta de entrada para uma retaliação mais ampla. “Além das tarifas, pode haver sanções adicionais: cancelamento de benefícios comerciais, restrições de importação e até retirada de produtos brasileiros do mercado norte-americano”, afirmou. Ou seja, o Brasil pode ser empurrado para um confronto comercial de grandes proporções.

E o Judiciário brasileiro está na mira?

Lucena ressalta que a Seção 301 age sobre Estados, não indivíduos. No entanto, lembra que o governo dos EUA pode acumular sanções com outras legislações, como a Lei Magnitsky, que permite punir autoridades acusadas de abusos. “Se forem identificadas condutas ilegais por pessoas físicas, medidas específicas podem ser combinadas no mesmo processo.”

Ausência de embaixador: sinal de desprezo?

A falta de um embaixador norte-americano no Brasil é, segundo o especialista, um recado político: “Mostra o desprezo da administração Trump pela atual gestão brasileira”. Lucena destaca que o distanciamento já vinha desde a campanha, quando Lula criticou abertamente Trump e chegou a declarar apoio a Kamala Harris. “É simbólico: Lula nunca se encontrou com Trump.”

Além disso, a participação do Brasil nos BRICS, com propostas como a desdolarização do comércio global, contribui para o clima hostil entre os dois governos. “As ações do governo brasileiro são vistas como provocativas por Washington”, conclui Lucena.


O uso da Seção 301 por Trump sinaliza uma guerra comercial disfarçada de processo legal, com implicações profundas para as exportações brasileiras e a soberania nacional. Mais do que disputa econômica, trata-se de um embate político-ideológico em plena escalada.

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