MinasGerais https://radarmetropolitanopr.com O Portal de Notícias da Metrópole do Paraná Sun, 19 Oct 2025 21:37:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://radarmetropolitanopr.com/wp-content/uploads/2025/06/cropped-logo-redondo-site-32x32.png MinasGerais https://radarmetropolitanopr.com 32 32 Kassab sela filiação de Mateus Simões ao PSD e embaralha sucessão em Minas Gerais https://radarmetropolitanopr.com/2025/10/19/kassab-sela-filiacao-de-mateus-simoes-ao-psd-e-embaralha-sucessao-em-minas-gerais/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/10/19/kassab-sela-filiacao-de-mateus-simoes-ao-psd-e-embaralha-sucessao-em-minas-gerais/#respond Sun, 19 Oct 2025 21:37:39 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=5475 Evento será em 27 de outubro; Zema deixará o governo em abril para disputar as eleições e apoiará o vice como seu sucessor
O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo). (Foto: Assessoria Vice-governador/GIL LEONARDI)

O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, oficializará no dia 27 de outubro, em Belo Horizonte, sua filiação ao PSD, partido comandado por Gilberto Kassab. O movimento marca o rompimento definitivo de Simões com o Novo, legenda pela qual se elegeu ao lado de Romeu Zema, e redesenha o tabuleiro político mineiro às vésperas de 2026.

Com o apoio direto de Zema — que deixará o Palácio Tiradentes em abril para disputar outro cargo —, Simões entrará na corrida ao governo estadual sentado na cadeira de governador, o que o coloca em vantagem estratégica para a sucessão.

A mudança de partido, porém, provoca um terremoto dentro do PSD, hoje abrigando também nomes de peso como o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) e o senador Rodrigo Pacheco, ambos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e potenciais candidatos ao governo mineiro.

Com Simões sob as bênçãos de Kassab e de Zema, as portas do PSD se fecham para os governistas. Kassab, no entanto, tenta aparar arestas e poderá oferecer a Silveira ou Pacheco uma vaga ao Senado — o que criaria um cenário inusitado: o mesmo partido lançando Simões como opositor de Lula ao governo, e Silveira ou Pacheco como aliados do Planalto ao Senado.

Segundo a Paraná Pesquisas, divulgada neste mês, Zema tem aprovação de 63,6% dos mineiros, o que tende a impulsionar o nome do vice na disputa.

Enquanto isso, Lula busca um novo nome para enfrentar o grupo de Zema em Minas. A aposta mais recente recai sobre Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, que se filiou ao PDT em um jantar em Brasília na última quarta-feira (15), com a presença da ministra Gleisi Hoffmann.

Nota oficial do PSD

Em comunicado divulgado neste domingo (19), Kassab confirmou a filiação e exaltou o movimento como “um alinhamento em prol da boa política e de resultados concretos para a população”. O evento contará com a presença de Zema, de lideranças nacionais do PSD, do Novo e de partidos aliados.

A entrada de Mateus Simões no PSD transforma Minas Gerais no epicentro da disputa entre Lula, Kassab e Zema. Kassab amplia seu poder de articulação em 2026, enquanto o Planalto perde espaço num dos maiores colégios eleitorais do país. Minas, mais uma vez, assume o papel de fiel da balança na sucessão nacional.

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Quem é o juiz investigado por Moraes após soltar condenado que quebrou relógio do Planalto https://radarmetropolitanopr.com/2025/06/21/quem-e-o-juiz-investigado-por-moraes-apos-soltar-condenado-que-quebrou-relogio-do-planalto/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/06/21/quem-e-o-juiz-investigado-por-moraes-apos-soltar-condenado-que-quebrou-relogio-do-planalto/#respond Sat, 21 Jun 2025 19:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=1957 Ministro do STF revogou decisão de juiz de Uberlândia que libertou homem condenado por depredar relógio do século 17 no Planalto
Ministro Alexandre de Moraes durante sessão da 1ª turma do STF. Foto: Nelson Jr./SCO/STF  (11/02/2020)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de uma investigação contra o juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, da Vara de Execuções Penais de Uberlândia (MG). A decisão veio após Ribeiro libertar, no dia 13 de junho, Antônio Cláudio Alves Ferreira — o homem condenado por destruir um relógio histórico do século 17 durante os atos golpistas de 8 de Janeiro.

Moraes foi categórico: Ribeiro “proferiu decisão fora do âmbito de sua competência”. A revogação foi assinada em 19 de junho, e Ferreira voltou à prisão na noite seguinte, em Catalão (GO). Segundo o ministro, nenhuma autorização havia sido dada pelo STF para a progressão de regime ou qualquer medida além da emissão de atestado de pena.

Quem é Lourenço Ribeiro

Foto: Reprodução | AMAGIS

Titular da Vara de Execuções Penais de Uberlândia desde 2013, Lourenço Ribeiro tem trajetória consolidada no Judiciário mineiro. É especialista em Direito Civil pela UFU (Universidade Federal de Uberlândia) e mestre em Direito das Relações Econômicas e Sociais. Atuou como juiz em diversas comarcas do estado e integrou a comissão da Amagis que discutiu a reforma da Lei de Execuções Penais.

Apesar de criticar propostas legislativas que facilitam a progressão de pena, Ribeiro já defendeu o uso de medidas alternativas, como tornozeleira eletrônica, para aliviar a superlotação do sistema carcerário. Em artigo publicado no site Conjur, em 2018, alertou que a flexibilização da progressão de regime poderia colocar em risco a segurança da população.


Decisão polêmica e confronto jurídico

O estopim da investigação foi a decisão de Ribeiro de permitir que Ferreira progredisse para o regime semiaberto, sem tornozeleira eletrônica. O juiz alegou bom comportamento e cumprimento do tempo mínimo da pena. Justificou ainda a ausência do equipamento eletrônico em Minas Gerais — informação desmentida pela Secretaria de Justiça estadual.

Para Moraes, além da incompetência formal, houve violação à Lei de Execuções Penais. A norma exige que condenados por crimes com violência só possam progredir após cumprir ao menos 25% da pena. Ferreira, que destruiu um bem histórico da União e foi condenado por tentativa de golpe de Estado, havia cumprido apenas 16%.

Especialistas ouvidos confirmam o entendimento do ministro. O advogado Carlos Eduardo Delmondi, do escritório Oliveira e Olivi, apontou que a decisão de Moraes respeita os critérios legais, já que o próprio Regimento Interno do STF reserva à Corte a prerrogativa de decidir sobre a execução de penas em ações penais originárias.


Silêncio e repercussões

A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), a Amagis e a defesa de Ribeiro foram procuradas, mas não se manifestaram até o fechamento desta reportagem. A decisão reacende debates sobre os limites de atuação de juízes de primeira instância em casos de competência exclusiva do Supremo.


O caso que chocou o país

Antônio Cláudio Alves Ferreira foi condenado em junho de 2024 a 17 anos de prisão. Durante a invasão ao Palácio do Planalto, foi flagrado por câmeras destruindo um relógio francês do século 17, presente da corte de Luís XIV a dom João VI. Ele também lançou um extintor contra câmeras de segurança.

O relógio histórico foi restaurado e voltou ao gabinete da Presidência da República em janeiro de 2025. A destruição da peça tornou-se símbolo da violência contra o patrimônio nacional nos ataques antidemocráticos de 8 de Janeiro.


Nota do editor
A investigação determinada por Alexandre de Moraes contra o juiz Ribeiro não apenas coloca em evidência as tensões entre instâncias do Judiciário, mas também acende um alerta sobre a aplicação desigual da Lei de Execuções Penais em crimes de alto impacto. O episódio expõe uma disputa de autoridade e interpretação jurídica com desdobramentos institucionais e simbólicos importantes.

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