BrasilEUA https://radarmetropolitanopr.com O Portal de Notícias da Metrópole do Paraná Sun, 12 Oct 2025 20:20:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://radarmetropolitanopr.com/wp-content/uploads/2025/06/cropped-logo-redondo-site-32x32.png BrasilEUA https://radarmetropolitanopr.com 32 32 Alckmin revela pedido de Lula a Trump: suspensão imediata da tarifa de 40% sobre produtos brasileiros https://radarmetropolitanopr.com/2025/10/12/alckmin-revela-pedido-de-lula-a-trump-suspensao-imediata-da-tarifa-de-40-sobre-produtos-brasileiros/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/10/12/alckmin-revela-pedido-de-lula-a-trump-suspensao-imediata-da-tarifa-de-40-sobre-produtos-brasileiros/#comments Sun, 12 Oct 2025 22:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=5336
Foto: REUTERS/Carla Carniel

Durante evento em Aparecida neste domingo (12), o presidente em exercício Geraldo Alckmin confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu diretamente ao norte-americano Donald Trump que suspenda a tarifa de 40% imposta a produtos brasileiros já durante a fase de negociação entre os dois países.

“O pedido do presidente Lula para o presidente Trump foi que, enquanto negocia, suspenda os 40%. Esse foi o pleito”, disse Alckmin a jornalistas.

O telefonema entre Lula e Trump ocorreu em 6 de outubro, e marcou o primeiro contato direto entre os dois desde que o republicano voltou ao poder. Na conversa, o presidente americano designou o secretário de Estado Marco Rubio para conduzir as tratativas com Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad.

Marco Rubio entra no tabuleiro diplomático

Apesar do histórico de tensões políticas entre setores progressistas e o senador republicano, Alckmin minimizou qualquer risco de impasse.

“Não acredito [em obstáculos]. A orientação do presidente Trump foi muito clara: queremos diálogo e entendimento. O Brasil sempre defendeu isso”, afirmou.

Rubio deve se reunir com Mauro Vieira na próxima sexta-feira (17), em Washington, para discutir o tarifaço e outras medidas restritivas adotadas pelos Estados Unidos, como sanções aplicadas com base na Lei Magnitsky e a revogação de vistos de autoridades brasileiras.

Impacto do tarifaço

Segundo dados divulgados por Alckmin, 42% das exportações brasileiras para os EUA estão fora da sobretaxa, mas cerca de 34% dos produtos seguem diretamente afetados pela tarifa, que chega a 40%.

O governo brasileiro tenta evitar que o aumento provoque perda de competitividade de setores estratégicos, como o agronegócio, a indústria química e de transformação.

Lula e Trump devem se encontrar novamente

A reaproximação diplomática avança em paralelo às negociações técnicas. Lula e Trump manifestaram intenção de se reunir pessoalmente em breve — o presidente brasileiro aventou a possibilidade de encontro na Cúpula da ASEAN, na Malásia, e disse estar disposto a viajar aos Estados Unidos “para consolidar o diálogo”.

O gesto é visto como uma tentativa de reduzir a tensão comercial e reposicionar o Brasil nas discussões econômicas com Washington, em meio a uma conjuntura global marcada por disputas tarifárias e reconfiguração das cadeias de produção.

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Lula se solidariza com Moraes e acusa Trump de traição diplomática e pressão comercial https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/30/lula-se-solidariza-com-moraes-e-acusa-trump-de-traicao-diplomatica-e-pressao-comercial/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/30/lula-se-solidariza-com-moraes-e-acusa-trump-de-traicao-diplomatica-e-pressao-comercial/#respond Thu, 31 Jul 2025 00:10:25 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=3612 Manifestação ocorre horas após decreto dos EUA acusar Moraes de violações de direitos humanos e impor sanções ao Brasil
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou uma nota oficial nesta quarta-feira (30) condenando com veemência a interferência do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Judiciário brasileiro. Lula classificou como “inaceitável” o ataque ao ministro Alexandre de Moraes, alvo de sanções unilaterais de Washington com base na Lei Magnitsky — norma que permite punições por supostas violações de direitos humanos.

“A interferência do governo norte-americano na Justiça brasileira é inaceitável”, diz a nota.
“O governo brasileiro se solidariza com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, alvo de sanções motivadas pela ação de políticos brasileiros que traem nossa pátria e nosso povo em defesa dos próprios interesses.”

Contexto da crise
A manifestação do presidente ocorre poucas horas após Trump acusar Moraes de “perseguição a cidadãos americanos” e “violação de direitos humanos” em um decreto que também impõe sobretaxas de 50% a produtos brasileiros. As ações foram justificadas como resposta ao enquadramento das big techs à legislação nacional e aos julgamentos relacionados à tentativa de golpe de Estado atribuída a Jair Bolsonaro — aliado político de Trump.

Lula reage com firmeza
Lula não apenas defendeu Moraes como apontou o risco diplomático envolvido. Segundo ele, as medidas têm “motivação política” e ameaçam diretamente a soberania nacional:

“A motivação política das medidas contra o Brasil atenta contra a soberania nacional e a própria relação histórica entre os dois países.”

O presidente reforçou que todas as empresas e cidadãos, inclusive plataformas digitais, devem obedecer às leis brasileiras. “Justiça não se negocia”, declarou.

Independência dos Poderes e defesa da democracia
O comunicado também sublinhou a importância da independência entre os Poderes, destacando que qualquer tentativa de enfraquecimento do Judiciário representa uma ameaça ao regime democrático:

“Um dos fundamentos da democracia e do respeito aos direitos humanos no Brasil é a independência do Poder Judiciário e qualquer tentativa de enfraquecê-lo constitui ameaça ao próprio regime democrático.”

Resposta econômica em curso
Além da crítica política, o Planalto classificou como “injustificável” o uso de argumentos políticos para impor barreiras comerciais. O governo já iniciou uma análise de impacto e elabora medidas para mitigar prejuízos às empresas, trabalhadores e famílias brasileiras atingidas pela decisão americana.

“O Brasil segue disposto a negociar, mas sem abrir mão dos instrumentos de defesa nacional previstos em lei.”

O embate direto entre Lula e Trump revela um novo nível de tensão diplomática, com contornos ideológicos e comerciais. Ao sair em defesa de Moraes, o presidente brasileiro projeta uma imagem de firmeza institucional, ao mesmo tempo em que denuncia um ataque político disfarçado de sanção legal. A disputa escancara os efeitos colaterais de um mundo onde Justiça, tecnologia e soberania se cruzam no centro do tabuleiro geopolítico.

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Lula acusa Bolsonaro de mandar filho aos EUA para pedir ajuda a Trump https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/11/lula-acusa-bolsonaro-de-mandar-filho-aos-eua-para-pedir-ajuda-a-trump/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/11/lula-acusa-bolsonaro-de-mandar-filho-aos-eua-para-pedir-ajuda-a-trump/#comments Fri, 11 Jul 2025 20:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=2957 Em discurso no Espírito Santo, presidente Lula afirma que ex-presidente Jair Bolsonaro mandou o filho, deputado Eduardo Bolsonaro, aos Estados Unidos para pedir a Trump que evitar sua prisão.

Foto: Joyce N. Boghosian/Casa Branca

O que disse Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que Jair Bolsonaro teria enviado o filho, Eduardo Bolsonaro, aos EUA com o objetivo de solicitar ajuda ao ex-presidente Donald Trump para evitar sua prisão — em meio à ação penal por suposta tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF) Extra+9Terra+9CNN Brasil+9.

Em tom provocativo durante evento em Linhares (ES), Lula chamou Bolsonaro de “coisa covarde” e criticou a postura do ex-presidente:

“Ele mandou o filho dele para os Estados Unidos pedir para o Trump fazer ameaça… ‘Trump, salva meu pai, não deixa meu pai ser preso’” UOL Notícias+4Terra+4CNN Brasil+4.

O presidente ironizou ainda a presença de Eduardo lendo uma carta nos EUA:

“Que tipo de homem é esse que não tem vergonha de enfrentar o processo de cabeça erguida?” UOL Notícias+2Terra+2UOL Notícias+2.

Conexão com o tarifaço

Lula também vinculou o apoio de Trump à taxação de 50% sobre produtos brasileiros como consequência da articulação da família Bolsonaro junto ao republicano.

“É preciso criar vergonha na cara… os EUA não têm déficit comercial com o Brasil, é o Brasil que tem déficit. Eu que deveria taxar eles”, alfinetou o presidente UOL Notícias+10Terra+10CNN Brasil+10.

Contexto da crise comercial

A taxação de 50%, anunciada por Trump com validade a partir de 1º de agosto, intensificou a guerra diplomática entre os países. Lula reagiu com firmeza, defendendo a independência da Justiça brasileira, afirmando que eventual recurso à carta de Trump não mudará o andamento dos processos no STF The Daily Beast.

O governo brasileiro já prepara retaliações com base na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçando que o Brasil não aceita interferências externas em seus processos judiciais e soberania .


A acusação de Lula coloca Eduardo Bolsonaro no epicentro de uma controversa articulação internacional, na qual política doméstica e tarifação econômica se cruzam. A convergência entre Trump e os Bolsonaro, além de corroer a imagem do ex-presidente, escancara a radicalização política que ameaça as bases da soberania nacional.

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Tarcísio confronta tarifaço de Trump e cobra Lula: “Narrativas não resolvem” https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/11/tarcisio-confronta-tarifaco-de-trump-e-cobra-lula-narrativas-nao-resolvem/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/11/tarcisio-confronta-tarifaco-de-trump-e-cobra-lula-narrativas-nao-resolvem/#comments Fri, 11 Jul 2025 17:59:05 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=2951 Governador paulista pressiona por revisão da sobretaxa americana e acusa Planalto de “bravata e narrativa”
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em meio à crise diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se reuniu nesta sexta-feira (11) com o encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, em Brasília. O encontro teve um objetivo direto: pedir a revisão imediata da tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros, com foco especial no impacto para a indústria e o agronegócio de São Paulo, o estado que mais exporta para os EUA.

Crítica ao Planalto: “Narrativas não resolvem”

Após a reunião, Tarcísio foi enfático: “É preciso negociar. Narrativas não resolverão o problema. A responsabilidade é de quem governa.” O governador criticou a condução do governo federal, cobrando “maturidade política” e alertando que “ideologia e aritmética não se misturam”.

Em tom direto, o recado de Tarcísio expôs o desconforto com o Planalto e reforçou a postura pragmática do governador, que vem tentando se equilibrar entre aliados bolsonaristas e os interesses econômicos de seu estado.

Apoio empresarial e diplomacia direta

Segundo o governador, será aberto um canal de diálogo com as empresas paulistas para a construção de um posicionamento técnico “lastreado em dados” contra a medida americana. Ele também destacou a importância estratégica da relação comercial entre os dois países e a necessidade de retomar o diálogo bilateral com urgência.

A Embaixada dos EUA emitiu nota minimizando o impacto político do encontro, mas reforçou a relevância econômica de São Paulo para os investimentos americanos no Brasil.

Bastidores políticos: almoço com Bolsonaro e alfinetada de Lula

Na mesma quinta-feira em que criticou Lula, Tarcísio almoçou com o ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília. O encontro foi publicado nas redes sociais, evidenciando o alinhamento entre os dois e sinalizando uma possível ação conjunta para tentar reverter o tarifaço.

A resposta do presidente Lula veio em tom ácido. Em entrevista, acusou Tarcísio de tentar esconder sua afinidade com Trump, ironizando: “Está cheio de lobo em pele de cordeiro por aí”.


Em um momento em que a diplomacia oficial se mostra fragilizada, Tarcísio assume o protagonismo político-econômico na crise comercial com os Estados Unidos. Ao cobrar responsabilidade do Planalto e articular com Washington, o governador se posiciona como voz ativa na defesa do setor produtivo, mirando tanto resultados práticos quanto dividendos políticos.

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Entenda a Seção 301 usada por Trump contra Lula e seus impactos: Guerra comercial à vista? https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/11/entenda-a-secao-301-usada-por-trump-contra-lula-e-seus-impactos-guerra-comercial-a-vista/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/11/entenda-a-secao-301-usada-por-trump-contra-lula-e-seus-impactos-guerra-comercial-a-vista/#comments Fri, 11 Jul 2025 10:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=2923 Investigação pode abrir caminho para sanções severas; Brasil vira alvo direto da Casa Branca em meio a crise diplomática.
Foto: EFE/EPA/AL DRAGO / POOL

Em meio à escalada de tensões entre Brasil e Estados Unidos, a carta enviada por Donald Trump ao presidente Lula trouxe mais do que um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros: determinou também a abertura imediata de uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. O dispositivo, poderoso e controverso, permite aos EUA apurar práticas comerciais consideradas desleais por países estrangeiros e retaliar com tarifas, sanções e restrições.

O que é a Seção 301?

Criada em 1974, a Seção 301 autoriza a Casa Branca a investigar barreiras tarifárias, políticas de comércio e até restrições digitais de outros países — como as mencionadas por Trump em relação ao Supremo Tribunal Federal, que, segundo ele, teria emitido “ordens de censura secretas e ilegais” a redes sociais dos EUA.

Esse mecanismo tem histórico de uso como instrumento de pressão econômica e diplomática. Foi utilizado contra o Brasil nos anos 1980 e, mais recentemente, contra a China — inclusive pelo próprio Trump e por Biden. Agora, volta ao centro das atenções, mirando o governo Lula.

A pressão vai além das tarifas

Segundo o economista e PhD em Relações Internacionais Igor Lucena, a Seção 301 é uma porta de entrada para uma retaliação mais ampla. “Além das tarifas, pode haver sanções adicionais: cancelamento de benefícios comerciais, restrições de importação e até retirada de produtos brasileiros do mercado norte-americano”, afirmou. Ou seja, o Brasil pode ser empurrado para um confronto comercial de grandes proporções.

E o Judiciário brasileiro está na mira?

Lucena ressalta que a Seção 301 age sobre Estados, não indivíduos. No entanto, lembra que o governo dos EUA pode acumular sanções com outras legislações, como a Lei Magnitsky, que permite punir autoridades acusadas de abusos. “Se forem identificadas condutas ilegais por pessoas físicas, medidas específicas podem ser combinadas no mesmo processo.”

Ausência de embaixador: sinal de desprezo?

A falta de um embaixador norte-americano no Brasil é, segundo o especialista, um recado político: “Mostra o desprezo da administração Trump pela atual gestão brasileira”. Lucena destaca que o distanciamento já vinha desde a campanha, quando Lula criticou abertamente Trump e chegou a declarar apoio a Kamala Harris. “É simbólico: Lula nunca se encontrou com Trump.”

Além disso, a participação do Brasil nos BRICS, com propostas como a desdolarização do comércio global, contribui para o clima hostil entre os dois governos. “As ações do governo brasileiro são vistas como provocativas por Washington”, conclui Lucena.


O uso da Seção 301 por Trump sinaliza uma guerra comercial disfarçada de processo legal, com implicações profundas para as exportações brasileiras e a soberania nacional. Mais do que disputa econômica, trata-se de um embate político-ideológico em plena escalada.

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Lula critica Trump, mas adia resposta concreta sobre tarifas https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/10/lula-critica-trump-mas-adia-resposta-concreta-sobre-tarifas/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/10/lula-critica-trump-mas-adia-resposta-concreta-sobre-tarifas/#comments Fri, 11 Jul 2025 01:11:46 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=2917 Em entrevista ao Jornal Nacional, presidente afirma que Brasil responderá “à altura” se não houver acordo. Críticas ao Brics não justificam tarifa de Trump, diz Lula.
Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Diante da ofensiva comercial de Donald Trump, que anunciou tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos EUA a partir de 1º de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou por adotar um discurso duro, mas sem apresentar medidas concretas imediatas.

Em entrevista ao Jornal Nacional nesta quinta-feira (10), Lula criticou a carta do republicano, que foi publicada diretamente em site pessoal, sem trâmite diplomático, classificando o gesto como “desrespeitoso” e baseado em informações falsas. No entanto, a retaliação brasileira segue condicionada a reuniões, consultas à OMC e avaliações futuras — uma postura vista por críticos como tímida diante do maior parceiro comercial do país.

“O Brasil é um país soberano que não aceitará ingerência de ninguém”, declarou Lula, antes de emendar: “O que nós queremos é que sejam respeitadas as decisões brasileiras”.

Apesar do tom firme, o presidente evitou se comprometer com prazos ou ações concretas. Limitou-se a dizer que poderá aplicar a Lei da Reciprocidade caso não haja solução negociada. Enquanto isso, o agronegócio, siderurgia e exportadores da indústria de base pressionam o Planalto por uma resposta mais célere.

Críticas à Justiça e defesa de Bolsonaro

A carta de Trump mistura acusações comerciais e críticas ao processo judicial contra Jair Bolsonaro. O americano classifica o julgamento como “caça às bruxas” — o que Lula rechaçou:

“É inadmissível um presidente estrangeiro tentar interferir no Poder Judiciário brasileiro. Aqui, a Justiça é autônoma e aplica a lei — doa a quem doer”.

No entanto, a postura do presidente brasileiro também levantou controvérsias, especialmente após minimizar críticas que recebeu por visitar a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, condenada por corrupção.

“Fui com autorização da Justiça argentina. Foi uma visita humanitária”, disse Lula, sem reconhecer o duplo padrão que alimentou críticas dentro e fora do país.

Empresariado cobra firmeza

Embora Lula tenha prometido reunir setores exportadores para discutir os impactos, a demora em anunciar medidas práticas gerou apreensão no mercado. Com as tarifas prestes a entrar em vigor, não há definição concreta sobre eventuais retaliações brasileiras — nem ações coordenadas com parceiros comerciais.

“Essa é a hora de mostrar que o Brasil quer ser respeitado. Quem não apoia essa postura não tem orgulho de ser brasileiro”, disse o presidente, num tom mais voltado à retórica nacionalista do que a um plano de ação detalhado.

Isolamento diplomático?

Ao minimizar os efeitos políticos do Brics e reafirmar a intenção de criar alternativas ao dólar, Lula reforça um caminho de distanciamento dos EUA — mesmo com o país sendo o segundo maior parceiro comercial do Brasil.

“Nós cansamos de ser subordinados ao norte. Queremos ter independência nas nossas políticas”, afirmou, defendendo a construção de uma nova ordem econômica entre países do sul global.


O governo brasileiro parece escolher um caminho de espera e discurso simbólico diante de uma provocação comercial concreta. Enquanto Lula foca em criticar a postura de Trump, o empresariado segue sem garantias e o país assiste à escalada diplomática sem saber se a retaliação será firme ou apenas retórica. A estratégia de negociação, até agora, parece mais um adiamento do embate do que uma defesa objetiva dos interesses nacionais.

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“Caça às bruxas”: Bolsonaro vê ataque a milhões de brasileiros e exalta apoio de Trump https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/10/caca-as-bruxas-bolsonaro-ve-ataque-a-milhoes-de-brasileiros-e-exalta-apoio-de-trump/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/10/caca-as-bruxas-bolsonaro-ve-ataque-a-milhoes-de-brasileiros-e-exalta-apoio-de-trump/#respond Thu, 10 Jul 2025 23:58:46 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=2914 Ex-presidente afirma que medidas dos EUA refletem afastamento do Brasil dos compromissos com liberdade e Estado de Direito. Ele vê uma “caça às bruxas” contra seus apoiadores e contra a democracia
Foto: Alan Santos / PR

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) rompeu o silêncio e comentou oficialmente a carta enviada por Donald Trump ao governo brasileiro, na qual o republicano anunciou um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros e criticou o julgamento de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota, Bolsonaro agradeceu o apoio do ex-presidente americano e cobrou “urgência” dos Poderes brasileiros para “resgatar a normalidade institucional”.

“Recebo com senso de responsabilidade a notícia das novas tarifas impostas pelo presidente Trump. A medida é resultado direto do afastamento do Brasil dos seus compromissos históricos com a liberdade, o Estado de Direito e os valores que sempre sustentaram nossa relação com o mundo livre”, declarou Bolsonaro.

A resposta ocorre um dia após Trump acusar o Brasil de perseguir politicamente o ex-presidente, além de anunciar publicamente que adotaria tarifas mais duras contra o país.

“Caça às bruxas”

Na mesma declaração, Bolsonaro afirmou que a atual ofensiva judicial contra ele não é um ataque pessoal, mas um movimento contra milhões de brasileiros:

“Essa caça às bruxas — termo usado pelo próprio presidente Trump — não é apenas contra mim. É contra milhões de brasileiros que lutam por liberdade e se recusam a viver sob a sombra do autoritarismo”, disse.

Bolsonaro classificou como ameaça à democracia os julgamentos conduzidos pelo STF e afirmou que estão em jogo direitos fundamentais como liberdade de expressão, de imprensa e de consciência.

“O que está em jogo é a liberdade de expressão, de imprensa, de consciência e de participação política. Conheço a firmeza e a coragem de Donald Trump na defesa desses princípios”, completou.

Contexto diplomático

A carta de Trump, divulgada pela embaixada dos EUA no Brasil, elevou as tensões diplomáticas entre os dois países. O republicano anunciou a criação de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras, alegando que o Brasil “não tem sido bom conosco” e denunciando uma suposta censura contra redes sociais americanas.

Em reação, o Itamaraty convocou o representante da embaixada norte-americana e devolveu oficialmente a carta ao diplomata Gabriel Escobar, classificando seu conteúdo como “ofensivo” e recheado de “declarações falsas” e “erros factuais”.

O presidente Lula também respondeu à provocação, garantindo que o Brasil responderá “à luz da Lei da Reciprocidade Econômica” e reafirmou a soberania e independência das instituições brasileiras.

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EUA vs Brasil: Lula promete reação firme ao ataque tarifário de Trump https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/09/eua-vs-brasil-lula-promete-reacao-firme-ao-ataque-tarifario-de-trump/ https://radarmetropolitanopr.com/2025/07/09/eua-vs-brasil-lula-promete-reacao-firme-ao-ataque-tarifario-de-trump/#respond Thu, 10 Jul 2025 00:00:00 +0000 https://radarmetropolitanopr.com/?p=2855
Imagem: Reprodução – Neofeed

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com firmeza à decisão do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, de aplicar tarifas de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil a partir de 1º de agosto. Em nota oficial, Lula afirmou que o país “não aceitará ser tutelado por ninguém” e garantiu que a resposta virá com base na Lei de Reciprocidade Econômica.

“O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”, declarou o presidente.

O que está em jogo

Na carta divulgada por Trump, além da nova taxa, o republicano fez duras críticas ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF, chamando o processo de “vergonha internacional” e acusou o Brasil, sem provas, de censurar empresas americanas de redes sociais.

Lula rebateu:

“O processo judicial contra os que planejaram o golpe de Estado é de competência apenas da Justiça brasileira e não está sujeito a ingerências externas.”

Sobre a acusação de censura:

“Liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas. Todas as empresas, nacionais ou estrangeiras, estão submetidas à legislação brasileira.”

E ainda contestou a justificativa econômica de Trump:

“É falsa a informação sobre o alegado déficit dos EUA com o Brasil. O próprio governo americano aponta superávit de US$ 410 bilhões nos últimos 15 anos.”

Brasil em alerta

O governo ainda não anunciou oficialmente contramedidas, mas, nos bastidores, a diplomacia já articula ações de retaliação com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

Lula encerrou com um recado direto:

A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa política externa.”

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