
O ex-auditor fiscal Arnaldo Augusto Pereira, condenado por participação na chamada “máfia do ISS” da Prefeitura de São Paulo, foi preso em Mucuri, no extremo sul da Bahia, após forjar a própria morte para escapar da Justiça.
Arnaldo vivia na cidade com identidade falsa. A prisão foi realizada na quarta-feira (15) por equipes do Ministério Público da Bahia (MP-BA), com apoio da Polícia Militar e do Gedec (Grupo Especial de Delitos Econômicos) do Ministério Público de São Paulo.
Segundo o MP, a operação foi deflagrada após a descoberta de inconsistências em um atestado de óbito registrado em nome do ex-auditor, apresentado em julho de 2025. O documento foi considerado suspeito diante de indícios de fraude e ocultação de identidade.
Esquema milionário
A “máfia do ISS” foi descoberta em 2013 e envolvia auditores fiscais concursados da Prefeitura de São Paulo que cobravam propinas de empresas da construção civil para reduzir ilegalmente o valor do ISS (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza) e facilitar a emissão do “Habite-se” — documento que autoriza a ocupação, venda ou financiamento de imóveis.
As investigações apontaram que o esquema movimentou mais de R$ 500 milhões em vantagens indevidas.
Histórico de prisões
De acordo com o Gedec, Arnaldo Augusto Pereira já havia sido preso em outras operações relacionadas a esquemas de corrupção, que envolveram desvios de milhões de reais.
O ex-auditor também havia sido detido em 2019 e 2021, sendo condenado em diferentes processos por crimes financeiros e enriquecimento ilícito.
Em 2023, ele foi novamente condenado, recebendo um novo regime de pena, mas desapareceu antes de cumprir a decisão judicial.
Fraude no atestado de óbito
As suspeitas de que Arnaldo estivesse vivo surgiram após investigadores detectarem inconsistências em documentos e movimentações financeiras incompatíveis com alguém declarado morto.
Segundo o MP, a apuração revelou que o ex-auditor viveu sob nome falso em Mucuri (BA), mantendo uma rotina discreta para evitar ser reconhecido.
O Ministério Público da Bahia informou que o caso segue em fase de investigação complementar, com a apuração de possíveis cúmplices na falsificação do atestado de óbito e na ocultação de bens do condenado.
Fonte: CNN
