Evento será em 27 de outubro; Zema deixará o governo em abril para disputar as eleições e apoiará o vice como seu sucessor

O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, oficializará no dia 27 de outubro, em Belo Horizonte, sua filiação ao PSD, partido comandado por Gilberto Kassab. O movimento marca o rompimento definitivo de Simões com o Novo, legenda pela qual se elegeu ao lado de Romeu Zema, e redesenha o tabuleiro político mineiro às vésperas de 2026.
Com o apoio direto de Zema — que deixará o Palácio Tiradentes em abril para disputar outro cargo —, Simões entrará na corrida ao governo estadual sentado na cadeira de governador, o que o coloca em vantagem estratégica para a sucessão.
A mudança de partido, porém, provoca um terremoto dentro do PSD, hoje abrigando também nomes de peso como o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) e o senador Rodrigo Pacheco, ambos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e potenciais candidatos ao governo mineiro.
Com Simões sob as bênçãos de Kassab e de Zema, as portas do PSD se fecham para os governistas. Kassab, no entanto, tenta aparar arestas e poderá oferecer a Silveira ou Pacheco uma vaga ao Senado — o que criaria um cenário inusitado: o mesmo partido lançando Simões como opositor de Lula ao governo, e Silveira ou Pacheco como aliados do Planalto ao Senado.
Segundo a Paraná Pesquisas, divulgada neste mês, Zema tem aprovação de 63,6% dos mineiros, o que tende a impulsionar o nome do vice na disputa.
Enquanto isso, Lula busca um novo nome para enfrentar o grupo de Zema em Minas. A aposta mais recente recai sobre Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, que se filiou ao PDT em um jantar em Brasília na última quarta-feira (15), com a presença da ministra Gleisi Hoffmann.
Nota oficial do PSD
Em comunicado divulgado neste domingo (19), Kassab confirmou a filiação e exaltou o movimento como “um alinhamento em prol da boa política e de resultados concretos para a população”. O evento contará com a presença de Zema, de lideranças nacionais do PSD, do Novo e de partidos aliados.
A entrada de Mateus Simões no PSD transforma Minas Gerais no epicentro da disputa entre Lula, Kassab e Zema. Kassab amplia seu poder de articulação em 2026, enquanto o Planalto perde espaço num dos maiores colégios eleitorais do país. Minas, mais uma vez, assume o papel de fiel da balança na sucessão nacional.
