
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ironizou nesta quarta-feira (6) a decisão do governo dos Estados Unidos de suspender seu visto de entrada no país. A medida atingiu também outros sete ministros da Corte e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A revogação foi interpretada como uma sanção do governo norte-americano à atuação do STF, principalmente na condução dos processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado de Donald Trump.
A declaração de Gilmar Mendes foi feita durante o lançamento de seu livro “Jurisdição Constitucional da Liberdade para a Liberdade”. Em tom crítico, o ministro afirmou:
“Poderíamos estar contando a história de um debacle [fracasso], da derrota do Estado Democrático de Direito. Mas normalmente nós temos estados nesses ambientes contando a consagração, a vitória, da democracia”, disse ele, encerrando o discurso sob aplausos.
Estiveram presentes na cerimônia o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, além dos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Edson Fachin e Luiz Fux. Também participaram o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin.
Antes da fala de Gilmar, o ministro Barroso discursou e defendeu a atuação da Corte, destacando o papel do STF como garantidor da estabilidade institucional nos quase 40 anos desde a redemocratização.
A obra lançada reúne os discursos feitos durante a cerimônia em que Gilmar Mendes recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Buenos Aires, em 2023.
Fonte: CNN
