O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrenta crescente isolamento político após ser acusado de traição à pátria por apoiar as sanções impostas pelos Estados Unidos contra o Brasil. Aos 41 anos, o parlamentar passou a ser visto como um político “radioativo” no Congresso.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (30), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou:

“Não podemos apoiar nenhum tipo de sanção por parte de nações estrangeiras dirigida a membros de qualquer Poder constituído da República. Isso vale para todos os parlamentares, membros do Executivo e ministros dos Tribunais Superiores.”

Embora a declaração pudesse soar como uma reafirmação genérica do compromisso com a Constituição, parlamentares interpretaram o recado como uma mensagem direta a Eduardo Bolsonaro. Ele vem defendendo as medidas anunciadas por Donald Trump, justificando-as como forma de proteger o pai, que responde no Supremo Tribunal Federal por crimes constitucionais, incluindo tentativa de golpe de Estado.

Para integrantes do Congresso, a manifestação de Motta pode sinalizar que o caso do deputado será tratado com celeridade. Eduardo é alvo de um inquérito da Procuradoria-Geral da República (PGR) e já foi citado em discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, sem mencioná-lo diretamente, reforça acusações de colaboração com governo estrangeiro em detrimento do país.

Parlamentares avaliam que o apoio a sanções externas ultrapassa o limite da imunidade política. “Nenhum deputado quer ver sua imagem associada à de ‘traidor da pátria’”, comentou um integrante da base, destacando o risco de desgaste eleitoral.

Com a reabertura do Congresso prevista para a próxima semana, a postura de Hugo Motta será posta à prova. A avaliação é que Eduardo Bolsonaro, até então protegido pelo espírito de corpo parlamentar, pode agora enfrentar um processo de cassação do mandato.

Fonte: Veja

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