
Enquanto as mulheres vivem, em média, sete anos a mais que os homens no Brasil, cresce o alerta: essa diferença não é só biológica — é comportamental. O Paraná decidiu enfrentar de frente esse problema, apostando em leis, campanhas e conscientização para quebrar o preconceito que afasta os homens do consultório médico.
A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) tem papel essencial nesse movimento. A casa já aprovou iniciativas como o Novembrinho Azul, voltado à saúde dos meninos, e mantém forte apoio às campanhas Agosto Azul e Novembro Azul, que iluminam não só o prédio da Alep, mas também o debate sobre prevenção, especialmente do câncer de próstata.
O preço do descuido
O câncer de próstata é o tipo de tumor mais frequente entre os homens. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 71 mil novos casos são esperados no Brasil entre 2023 e 2025. O problema é que muitos só procuram ajuda quando os sintomas são graves, o que reduz drasticamente as chances de cura. Para o médico urologista Gustavo Marquesine Paul, essa negligência está diretamente ligada a questões culturais.
“O homem brasileiro tem o hábito de evitar o médico e só buscar atendimento quando está em fase avançada da doença. Precisamos mudar essa mentalidade”, alerta.
Prevenção desde cedo: a força do Novembrinho Azul
A Alep também aprovou a lei estadual 22.395/2025, que criou o Novembrinho Azul — um programa que visa promover a saúde de meninos de até 15 anos com foco em prevenção, diagnóstico precoce e incentivo à vacinação contra o HPV.
“Diferente das meninas, que costumam iniciar o acompanhamento com ginecologistas ainda na adolescência, os meninos muitas vezes passam anos sem nenhum acompanhamento médico”, explicou o deputado Ney Leprevost, autor da proposta ao lado da deputada Mabel Canto.
A medida busca combater doenças silenciosas como fimose, hérnia inguinal e varicocele, além de incentivar o cuidado integral com a saúde masculina desde a infância.
Quebrando o tabu, salvando vidas
O preconceito com exames urológicos ainda é um grande obstáculo. Muitos homens evitam o exame de toque, essencial para o diagnóstico precoce do câncer de próstata. A deputada Cloara Pinheiro (PSD) foi direta ao falar no plenário:
“Vamos parar com essa ideia de que o exame é esquisito. Preconceito não salva ninguém. O que salva é a prevenção.”
Comissão de Saúde ativa e atuante
Na linha de frente dessas mudanças está a Comissão de Saúde Pública da Alep, formada por sete parlamentares de diferentes partidos. O grupo analisa projetos com impacto direto na saúde da população, como higiene, medicamentos, alimentos e o exercício da medicina. Hoje, a comissão é presidida pelo deputado Tercilio Turini (MDB) e conta com membros como Márcia Huçulak (PSD), ex-secretária de Saúde de Curitiba.
A relatora do Novembrinho Azul, deputada Márcia, resumiu o espírito da proposta:
“Campanhas de conscientização não apenas salvam vidas, mas também educam toda uma geração.”
