Um artigo publicado pelo jornal The Washington Post neste domingo (21/07) afirma que o “bullying praticado por [Donald] Trump contra o Brasil está saindo pela culatra”, em referência à imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi tomada como resposta ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Assinado pelo colunista de assuntos internacionais Ishaan Tharoor, o texto argumenta que a postura de força adotada por Trump acabou, na prática, fortalecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem ganhado apoio inclusive de setores das elites brasileiras.

Tharoor observa que, diferentemente de outras nações latino-americanas que cederam à pressão norte-americana, “a economia brasileira é maior e mais diversificada”, e Lula aproveitou o cenário para confrontar Washington. Segundo ele, “as ameaças tarifárias de Trump levaram outros países da região a se curvarem aos EUA, mas o Brasil reagiu de forma diferente”.

A crise diplomática ganhou força na sexta-feira (19), quando a Polícia Federal, sob ordens do ministro Alexandre de Moraes, realizou buscas em endereços de Jair Bolsonaro, que foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica e está impedido de deixar sua residência à noite, além de não poder se comunicar com outros investigados ou diplomatas estrangeiros.

Em resposta, o governo de Donald Trump suspendeu o visto de entrada de Moraes nos EUA, alegando se tratar de uma “caça às bruxas política” por parte do STF contra o ex-presidente.

Fontes diplomáticas ouvidas pelo jornal sob anonimato criticaram fortemente a postura da Casa Branca. Um integrante do Departamento de Estado declarou:

“É difícil conceber uma ação mais prejudicial à credibilidade dos EUA na promoção da democracia do que sancionar um juiz da Suprema Corte de outro país por discordância jurídica”.

O artigo também destaca que Lula sai fortalecido do embate:

“Para Lula, cujos aliados de esquerda enfrentam uma eleição difícil em 2026, o momento é uma bênção. Pesquisas indicam renovação do apoio ao governo diante da intimidação americana provocada por Bolsonaro. As tarifas ainda afetam elites empresariais que normalmente apoiam a oposição a Lula”.

Outra fonte brasileira afirmou ao jornal:

“O Papai Noel chegou cedo para o presidente Lula, e o presente foi enviado por Trump por meio desse ataque atrapalhado à soberania do Brasil”.

As tarifas anunciadas em 9 de julho devem entrar em vigor em 1º de agosto. Atualmente, os EUA são o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás da China e da União Europeia. Segundo analistas e membros do governo ouvidos pela BBC News Brasil, é improvável que o governo americano volte atrás, mesmo com os impactos da medida.

Fonte: BBC

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