
Após PGR pedir condenação de Bolsonaro, senador Cleitinho cobra impeachment de Alexandre de Moraes
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), usou as redes sociais nesta terça-feira (15) para pedir que o Senado Federal abra um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A manifestação do parlamentar ocorre no dia seguinte ao envio, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), das alegações finais no processo que investiga uma tentativa de golpe de Estado. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou ao STF a condenação de Bolsonaro e mais sete aliados.
Em vídeo, Cleitinho criticou duramente o comportamento do Congresso diante das decisões da Suprema Corte:
“Quê que vocês acham que o STF vai fazer? Vai mandar prender o Bolsonaro. A culpa é dos senadores, do Senado, que sempre ficou de joelhos para o STF”, afirmou o senador mineiro.
Na publicação, Cleitinho convocou seus seguidores a pressionarem os parlamentares em que votaram, para que ingressem com pedidos formais de afastamento de Moraes. O senador alegou que há perseguição ao ex-presidente e criticou o silêncio da cúpula do Congresso Nacional.
Pedido da PGR ao STF
O posicionamento da PGR, enviado na noite de segunda-feira (14), é a última etapa antes do julgamento na Primeira Turma do STF. No documento de mais de 500 páginas, Gonet defende que Bolsonaro seja responsabilizado como líder da articulação golpista, que teria envolvido integrantes das Forças Armadas, do governo federal e de órgãos de inteligência.
“O grupo, liderado por Jair Messias Bolsonaro e composto por figuras-chave do governo, das Forças Armadas e de órgãos de inteligência, desenvolveu e implementou plano progressivo e sistemático de ataque às instituições democráticas, com a finalidade de prejudicar a alternância legítima de poder nas eleições de 2022 e minar o livre exercício dos demais poderes constitucionais, especialmente do Poder Judiciário”, diz um trecho da manifestação.
Além de Bolsonaro, os demais integrantes do chamado “núcleo 1” da acusação são:
- Alexandre Ramagem, deputado federal (PL-RJ);
- Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
- Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice em 2022.
Todos respondem por crimes como:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de golpe de Estado;
- Dano ao patrimônio público;
- Abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
As provas foram baseadas na delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, além de documentos, registros digitais, e depoimentos colhidos pela Polícia Federal e analisados pela própria PGR.
Gonet também solicitou que o Supremo fixe um valor mínimo para reparação dos danos causados pelo grupo, caso haja condenação.
O julgamento será conduzido pela Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes (relator), Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux.
Fonte: Estado de Minas
