
Crefisa entra na mira do Ministério da Previdência por suspeita de fraudes em empréstimos consignados
A Crefisa, empresa responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários do INSS desde janeiro de 2024, está sendo investigada pelo Ministério da Previdência Social por supostas irregularidades em empréstimos consignados. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (11/7) pelo ministro Wolney Queiroz (PDT), durante sabatina realizada no congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
Em painel com os jornalistas Breno Pires, Basília Rodrigues e Luiz Vassallo, Queiroz confirmou que a pasta está realizando uma auditoria interna para apurar reclamações sobre a atuação da Crefisa, semelhante às denúncias que motivaram a Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em abril.
“Existe [investigação] em relação à Crefisa, por exemplo. Nós recebemos a OAB lá no Ministério e encaminhamos a reclamação, o processo da OAB, diretamente para o Setor de Inteligência do Ministério. Pedi para que o setor de Inteligência, juntamente com a força-tarefa previdenciária, fizesse um pente-fino”, afirmou o ministro.
A OAB de São Paulo encaminhou ofício ao INSS, à DataPrev, à CGU, ao Banco Central e à Febraban, solicitando esclarecimentos sobre possíveis violações contratuais cometidas pela Crefisa, incluindo empréstimos não solicitados e falta de transparência nas cobranças.
A empresa venceu 25 dos 26 lotes de um leilão promovido pelo INSS em 2024 para gerenciar os pagamentos de benefícios. Desde o início de sua operação, tem sido alvo de queixas semelhantes às que envolvem associações de fachada, que atuam para fraudar aposentados com descontos indevidos.
Operação Sem Desconto e crise no INSS
A série de reportagens do portal Metrópoles, iniciada em dezembro de 2023, revelou a “farra dos descontos indevidos” em aposentadorias. As denúncias apontam que entidades arrecadaram R$ 2 bilhões em um ano, enquanto respondiam a milhares de processos por fraudes em filiações.
O caso levou à abertura de inquéritos pela Polícia Federal e pela CGU, resultando na deflagração da Operação Sem Desconto, que culminou nas demissões do então presidente do INSS e do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi.
Varredura nos consignados
Wolney Queiroz afirmou que a investigação não se limita à Crefisa, e que está sendo feita uma varredura completa no sistema de empréstimos consignados.
“Estamos fazendo uma varredura no crédito consignado como um todo”, disse o ministro.
Ele destacou que há uma diferença entre associações de fachada, que aplicam fraudes de forma direta, e os correspondentes bancários — os chamados “pastinhas” — que atuam em nome de bancos e estão sob a supervisão do Banco Central. Atualmente, estima-se que existam cerca de 320 mil correspondentes bancários no Brasil.
Diálogo com bancos
Queiroz contou ainda que, ao assumir o ministério, procurou representantes do setor financeiro, como a Febraban e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), para tratar do tema.
“Fizemos uma reunião longa com o Isaac [Sidney], presidente da Febraban, e eu disse a ele: eu não vou defender bancos nem o consignado. Vocês que me apresentem os dados desse produto para provar à sociedade e ao Parlamento que vocês têm números”, relatou.
Segundo o ministro, os dados apresentados mostram uma queda de 71% nas ligações abusivas a aposentados nos últimos três anos, mas ele reforçou a necessidade de fiscalização.
Atualmente, 91 bancos estão autorizados a fazer descontos diretos na folha do INSS, embora muitos enfrentem ações judiciais por práticas fraudulentas, como o uso de áudios manipulados para simular consentimento dos aposentados.
A Crefisa foi procurada para comentar as denúncias, mas não respondeu até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
Fonte: Metrópoles
