Donald Trump, presidente dos Estados Unidos • 6/5/2025 REUTERS/Kent Nishimura

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros gerou repercussões imediatas entre os governadores de estados brasileiros. As manifestações revelaram uma divisão clara entre os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os defensores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO) criticaram diretamente a atuação do governo federal e responsabilizaram o presidente Lula pela deterioração das relações diplomáticas com os EUA. Já o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), saiu em defesa do governo e classificou a medida americana como uma “chantagem”.

Críticas da oposição

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que o governo federal “colocou a ideologia acima da economia” ao priorizar alinhamentos ideológicos e atacar parceiros estratégicos como os Estados Unidos. “Tiveram tempo para prestigiar ditaduras, defender a censura e agredir o maior investidor direto no Brasil. Não adianta se esconder atrás do Bolsonaro. A responsabilidade é de quem governa”, afirmou.

Romeu Zema, de Minas Gerais, criticou a gestão de Lula, a atuação da primeira-dama Janja da Silva e o Supremo Tribunal Federal. “As empresas e os trabalhadores brasileiros vão pagar, mais uma vez, a conta do Lula, da Janja e do STF. Ignorar a boa diplomacia e ainda fazer provocações baratas vai custar caro para Minas e para o Brasil”, escreveu em rede social.

Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, comparou a postura de Lula com a do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez e sugeriu ao Congresso Nacional a criação de uma comissão para dialogar diretamente com o governo americano. “Lula não representa o sentimento patriótico do nosso povo e muito menos tem credenciais para defender a soberania brasileira”, declarou.

Defesa do governo

Na contramão das críticas, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, foi o único entre os chefes estaduais a defender publicamente o governo federal. Ele classificou a medida dos EUA como uma forma de pressão política contra o Brasil e destacou a necessidade de preservar a soberania nacional.

“A terra do 2 de Julho não abre mão do respeito ao nosso povo, da nossa independência e da nossa soberania. A gente tem lado: o lado do povo brasileiro e da democracia. Respeite o Brasil!”, afirmou.

Impactos e reações

O anúncio do “tarifaço” de Trump repercutiu fortemente no setor produtivo brasileiro, especialmente entre exportadores de aço, alumínio e produtos agrícolas. O governo Lula já declarou que está mapeando novos mercados e articulações internacionais para compensar as perdas. Nos bastidores, lideranças bolsonaristas também avaliam acionar instâncias diplomáticas americanas e pressionar o governo Biden-Trump para rever a medida.

O Planalto, por sua vez, ainda não se manifestou oficialmente sobre as declarações dos governadores, mas ministros da área econômica e de relações exteriores trabalham para conter os efeitos comerciais e políticos da decisão norte-americana.

Fonte: CNN

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