Campanha "BBB" mobiliza milhões de postagens com foco em bilionários, bancos e bets, mas números ainda não superam a força digital da direita.

Imagem: Reprodução/Instagram
A esquerda ensaia sua maior ofensiva digital desde o início do terceiro mandato de Lula. Com a campanha “BBB” — que pressiona pela taxação de bancos, bilionários e bets —, partidos governistas e movimentos sociais aumentaram sua presença nas redes. A estratégia gerou 4,5 milhões de publicações no X, Instagram e Facebook desde 24 de junho, de acordo com dados da empresa Nexus. Apesar do avanço, a mobilização ainda está longe da força digital histórica da direita.
O que é a campanha “BBB”
A sigla resume a cobrança de impostos sobre grandes fortunas e apostas. Ganhou força após o Congresso derrubar o decreto do IOF, em 25 de junho. Termos como “Congresso da Mamata” (824 mil menções) e “Agora é a vez do povo” (464 mil menções) viralizaram — a maioria das interações aconteceu no X, que concentra 93% da discussão.
Parlamentares e IA na linha de frente
Vídeos produzidos com inteligência artificial e parlamentares da base do governo foram os principais vetores da campanha. Segundo a Quaest, pela primeira vez a esquerda foi mais ativa nas redes que a oposição, com 741 publicações de governistas contra 378 da direita.
Críticas a Hugo Motta e ao Congresso
Na amostragem da Nexus, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi chamado de “traidor” 347 mil vezes, enquanto o Congresso recebeu 575 mil menções como “inimigo do povo”.
Mas os números ainda são tímidos…
Mesmo com esse avanço, os números não chegam ao patamar da direita. O vídeo mais assistido da campanha “BBB” no Instagram do PT tem 14,6 milhões de visualizações. Para comparar: Nikolas Ferreira atingiu 200 milhões em um único vídeo durante a crise do Pix.
A empresa Palver aponta que, nos grupos de WhatsApp e Telegram, os conteúdos da esquerda começaram a viralizar em 1º de julho, mas a avaliação do governo ainda é majoritariamente negativa. A direita se apropriou do debate para atacar o governo por suposta irresponsabilidade fiscal e populismo tributário.
“O governo viralizou, mas ainda é visto como antidemocrático por acionar o STF e falsamente interessado em pautas sociais.”
— Relatório da Palver
“Foi uma mobilização inédita da esquerda, mas ainda aquém do que a direita já fez.”
— Marcelo Tokarski, CEO da Nexus
