Durante evento no Rio de Janeiro, presidente nega guerra entre os Poderes e elogia relação com o Congresso após decisão de Moraes sobre IOF

Lula projeta reeleição em 2026 e envia recado político: “Se preparem”
Em meio à tensão institucional envolvendo a derrubada do decreto do IOF, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu um palco simbólico — o anúncio de investimentos da Petrobras, no Rio — para lançar sua pré-candidatura velada à reeleição em 2026.
“Tem gente pensando que o governo já acabou. Se preparem, porque esse país vai ter pela primeira vez um presidente eleito quatro vezes”, declarou.
A fala representa um marco político, colocando oficialmente no horizonte a possibilidade de Lula disputar seu quarto mandato, após vitórias em 2002, 2006 e 2022.
Lula nega tensão com Congresso: “Não existe guerra entre os Poderes”
A declaração também serviu como resposta às crescentes especulações sobre conflito entre Executivo e Legislativo, agravadas após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que suspendeu atos do governo e do Congresso relacionados ao aumento do IOF.
“Sou muito agradecido pela relação que tenho com o Congresso. Até agora, em dois anos e meio, o Congresso aprovou 99% do que mandamos”, disse o presidente.
Para Lula, eventuais divergências fazem parte do processo democrático:
“Quando há diferença, sentamos à mesa e resolvemos.”
Moraes intervém e convoca conciliação entre os Poderes
Poucas horas antes do discurso de Lula, o ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão dos decretos do Executivo que aumentaram o IOF, assim como a decisão do Congresso que revogou essa alta. A medida foi justificada por “sérias dúvidas sobre desvio de finalidade”.
Além disso, o ministro marcou para o dia 15 de julho uma audiência de conciliação entre os Poderes e deu cinco dias para que o governo explique a motivação do aumento do imposto.
A decisão é mais um capítulo da disputa por protagonismo político e fiscal em Brasília, com repercussões diretas na relação entre Planalto, Congresso e Supremo.
Ao antecipar publicamente sua intenção de disputar um quarto mandato, Lula joga luz sobre o verdadeiro tabuleiro de 2026. O aceno ao Congresso, em meio à interferência do STF, sinaliza um reposicionamento estratégico: manter a governabilidade sem abrir mão do protagonismo político, mesmo em clima de tensão institucional crescente.
