Campanha busca apoio popular à reforma tributária sobre bilionários, bancos e apostas, mas enfrenta resistência no Congresso

Durante ato público em Salvador, nesta quarta-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segurou um cartaz com os dizeres “Taxação BBB: Bilionários, Bancos e Bets”, em gesto simbólico de apoio à campanha por justiça tributária. A cena ocorreu durante as comemorações do 2 de Julho, data da independência da Bahia, e foi amplamente divulgada nas redes do presidente com a legenda: “Mais justiça tributária e menos desigualdade. É sobre isso.”
A ação integra uma ofensiva do Palácio do Planalto para ampliar o apoio popular à proposta de reforma tributária sobre renda e patrimônio, uma das bandeiras centrais do governo. A medida visa compensar a promessa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, feita por Lula durante a campanha de 2022.
“BBB”: bilionários, bancos e apostas na mira
A sigla “BBB” — de bilionários, bancos e bets (empresas de apostas online) — resume os principais alvos da nova estratégia de arrecadação. A campanha, articulada pela Secretaria de Comunicação (Secom) e capitaneada por figuras como o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), visa pressionar o Congresso e mobilizar a opinião pública contra os setores que hoje pagam proporcionalmente menos impostos que a classe trabalhadora.
Resistência no Congresso e desgaste com o Planalto
Apesar da mobilização nas ruas, o governo enfrenta forte resistência no Legislativo. O clima de desgaste se intensificou após a derrubada do decreto que aumentava o IOF sobre crédito, seguros e remessas internacionais, medida que poderia elevar a arrecadação federal. A derrota expôs o isolamento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e as dificuldades do Planalto em articular sua base no Congresso.
A campanha da Taxação BBB surge como tentativa de virar o jogo no campo político — levando o embate fiscal para o terreno da comunicação direta com a população.
Lula joga suas fichas em uma narrativa potente: ricos devem pagar mais impostos. A cartada populista da “Taxação BBB” é simples, eficaz e midiaticamente poderosa. Mas transformar esse apelo em política efetiva exigirá mais que cartazes e hashtags — será preciso vencer resistências de um Congresso onde os interesses dos bilionários e dos bancos têm assento cativo.
