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O governo federal aumentou nesta terça-feira (1º) as alíquotas do imposto de importação para carros elétricos e híbridos, em um movimento que deve impactar diretamente os preços ao consumidor e tensionar o mercado automotivo. A nova política segue um cronograma escalonado aprovado em 2023, com objetivo de fortalecer a indústria nacional de veículos sustentáveis.

As novas alíquotas passam a ser:

  • Elétricos: de 18% para 25%
  • Híbridos: de 25% para 30%
  • Híbridos plug-in: de 20% para 28%

A previsão é que os tributos alcancem a taxa máxima de 35% até julho de 2026.

Aposta no Brasil, alerta no bolso

Segundo dados da Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores), quase metade dos veículos importados entre janeiro e maio de 2025 eram eletrificados, totalizando 92.743 unidades. Apesar do crescimento, os modelos eletrificados ainda representam apenas 9,98% do mercado nacional.

O governo defende que a medida vai estimular a industrialização local, mas montadoras e importadoras travam um embate nos bastidores: enquanto as fábricas instaladas no Brasil querem antecipar a cobrança máxima, as importadoras pedem o respeito ao cronograma gradual.

E o preço dos carros?

A elevação da alíquota pode provocar aumentos imediatos nos preços de modelos populares do segmento sustentável. Um híbrido plug-in de R$ 240 mil, por exemplo, poderia subir para R$ 256 mil, com o repasse integral da nova tributação.

Contudo, algumas fabricantes sinalizam que devem absorver parte do impacto, para manter a competitividade e não frear o crescimento da demanda.

Pressão do mercado e gigante chinesa na mira

A decisão também ocorre em meio à chegada de grandes carregamentos de veículos importados, como o da chinesa BYD, que recentemente trouxe 7 mil carros ao Brasil de uma só vez. A movimentação acendeu o alerta nas montadoras nacionais, que pressionam o governo por proteção mais rígida e incentivos à produção local.

O aumento do imposto sobre carros sustentáveis revela o delicado equilíbrio entre incentivar a produção nacional e manter o acesso a tecnologias limpas. Em um mercado ainda em amadurecimento, a medida coloca o Brasil na rota de uma disputa global por espaço na mobilidade elétrica, mas exige precisão para não frear o avanço do consumidor rumo a um futuro mais verde.

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