Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O governo federal intensificou as articulações com líderes do Centrão na tentativa de destravar a tramitação do projeto que trata da revisão dos benefícios fiscais. A proposta é uma das prioridades da equipe econômica e pode avançar diretamente para o plenário da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (1º), caso o requerimento de urgência seja aprovado.

À frente das conversas está o deputado Rogério Correia (PT-MG), relator da matéria na Comissão de Finanças e Tributação. No entanto, com a possibilidade de o texto pular as comissões e ser votado diretamente em plenário, a permanência de Correia na relatoria ainda é incerta e dependerá de uma decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A proposta tem potencial para abrir um novo capítulo na crise institucional entre Planalto e Congresso, agravada pela disputa em torno do decreto presidencial que aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Após a medida ser derrubada pelo Legislativo, o governo recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), movimento que intensificou o mal-estar entre os poderes. A ação foi redistribuída para o ministro Alexandre de Moraes, relator de outro processo que trata do mesmo tema.

Apesar da tensão, o Executivo tenta construir um ambiente de conciliação e aposta na pauta dos benefícios fiscais como oportunidade de reconstruir pontes. Para o PT, o projeto pode ser ajustado para contemplar tanto a visão da equipe econômica quanto as preocupações políticas do centrão, que busca demonstrar compromisso com o equilíbrio fiscal sem abrir mão de protagonismo nas decisões orçamentárias.

Lideranças do centrão têm reforçado que não aceitarão o papel de vilões no debate sobre aumento de gastos públicos e veem na proposta uma chance de devolver a pressão ao Executivo. Em paralelo, o governo tem reforçado sua base com a liberação de recursos: só nas últimas duas semanas, foram pagos R$ 2,2 bilhões em emendas parlamentares, elevando o total desembolsado neste ano para R$ 8,58 bilhões.

Nos bastidores, o Planalto também trabalha para manter o discurso de justiça tributária, defendendo que o “andar de cima” da sociedade deve contribuir mais para a arrecadação. A narrativa, central para a base petista, vem sendo reiterada nas redes sociais e por ministros, como estratégia para recuperar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em meio a críticas sobre a condução econômica e política do governo.

Além da revisão dos benefícios fiscais, o governo espera que o clima de negociação se estenda a outras pautas importantes, como a reforma do Imposto de Renda, cuja relatoria está nas mãos do deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara e figura central nas negociações com o Executivo.

A votação desta terça é vista como um teste de força e de articulação política. Se a urgência for aprovada, a matéria poderá entrar na pauta do plenário já nas próximas semanas — e marcar um novo momento nas relações entre governo e Congresso.

Fonte: CNN

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