Laboratório de Química da universidade transforma investigação criminal com tecnologia de ponta usada na Europa desde os anos 1980

Foto:Gabriel Costa

Muito além das salas de aula, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) vem se consolidando como referência nacional em Ciências Forenses, graças ao uso inovador da Ressonância Magnética Nuclear (RMN). A técnica, comum na medicina e na química, tornou-se uma ferramenta poderosa para investigações criminais, identificação de drogas sintéticas, fraudes e até autenticação de obras de arte.

Em funcionamento desde os anos 1990, o Laboratório Multiusuário de RMN da UFPR foi pioneiro na aplicação da técnica em perícias no Brasil, sendo responsável por dezenas de casos resolvidos com precisão atômica — literalmente.

Como funciona a RMN forense?

A técnica analisa a estrutura molecular de substâncias ao submetê-las a um campo magnético. Cada substância gera um “espectro” único, permitindo a identificação precisa mesmo de drogas inéditas ou adulteradas.

O método ganhou destaque por dispensar padrões prévios, sendo capaz de identificar novas substâncias psicoativas, fraudes em alimentos e cosméticos, e agora também componentes nocivos em cigarros eletrônicos.

Combate ao tráfico e detecção de novas drogas

A RMN da UFPR já identificou substâncias como o Nbome, um LSD modificado, e um canabinoide sintético inédito no mundo, enviado da Holanda pelos Correios. A descoberta ajudou a Receita Federal a treinar cães farejadores com base no novo composto — o que levou a novas apreensões bem-sucedidas.

Cigarros eletrônicos na mira da ciência

A equipe também iniciou a análise da composição química de vapes ilegais. O que encontraram surpreendeu: altíssimas concentrações de nicotina, que contradizem a proposta de substituição do cigarro tradicional.

“O vape entrega ainda mais nicotina do que o cigarro”, alerta o professor Kahlil Salome, da UFPR.

Um legado que inspira

Hoje, polícias de todo o país, inclusive a Polícia Federal em Brasília, já seguem o exemplo da UFPR, investindo em seus próprios equipamentos. Ainda assim, o laboratório curitibano segue atuando diretamente em casos locais e nacionais, com impacto real na Justiça brasileira.

“É a principal ferramenta usada na investigação forense. A gente já analisou de tudo por aqui”, resume o professor Andersson Barison.

Fonte: Bem Paraná

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