
A direita brasileira reconhece um revés político após o telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, realizado nesta segunda-feira (6), que sinalizou avanços nas negociações entre Brasil e Estados Unidos.
Sob reserva, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) consideram uma derrota simbólica o fato de ele — condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado — não ter sido citado durante a conversa de 30 minutos entre Lula e Trump.
Apesar disso, o grupo bolsonarista demonstra otimismo com a escolha do secretário de Estado, Marco Rubio, para intermediar o diálogo com o governo brasileiro. A expectativa é de que Rubio mantenha a pressão sobre o Planalto e evite recuos nas medidas impostas contra o país, como a sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros e as sanções a autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Bastidores e articulação política
Fontes próximas ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem articulado sanções americanas contra o Brasil, afirmam que a pressão de lobistas ligados a empresas brasileiras e a setores produtivos foi decisiva para viabilizar o telefonema entre os presidentes — mesmo diante da resistência de Rubio.
Segundo o grupo, também teve papel importante o enviado presidencial especial dos EUA para Missões Especiais, Richard Grenell, que se reuniu em 15 de setembro com o chanceler Mauro Vieira, em Brasília. O encontro não foi divulgado oficialmente, mas teria contribuído para destravar o diálogo diplomático.
Para aliados de Bolsonaro, a presença de Rubio nas negociações aumenta a pressão sobre Lula, que agora precisa demonstrar resultados concretos e assumir o protagonismo nas tratativas, sem atribuir eventuais impasses à atuação de Eduardo Bolsonaro.
Cenário e expectativas da direita
No cenário mais favorável ao bolsonarismo, a aproximação de Rubio pode permitir que o governo americano questione diretamente Lula sobre supostas perseguições à oposição e violações de direitos humanos — temas que Eduardo Bolsonaro e o comentarista Paulo Figueiredo têm levado às autoridades dos EUA.
Desde julho, o governo Trump mantém uma ofensiva comercial e política contra o Brasil, com tarifas sobre exportações, sanções a autoridades brasileiras e críticas às decisões do Judiciário.
Para o entorno de Bolsonaro, o resultado das negociações com Rubio será determinante para o futuro da relação bilateral e para o posicionamento da direita brasileira no cenário internacional.
Fonte: CNN

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