
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (26) que o Brasil acumula um déficit de aproximadamente R$ 720 bilhões com os Estados Unidos nos últimos 15 anos, e criticou as medidas unilaterais de aumento de tarifas anunciadas pelo governo americano.
“Nos últimos 15 anos, a gente enviou, de alguma maneira, aos Estados Unidos R$ 720 bilhões, o que equivale a algo como 6% do nosso PIB atualizado”, disse Durigan, durante participação remota em evento da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do Council of the Americas.
Segundo ele, o governo brasileiro recebeu “com surpresa e tristeza” o tarifaço, mas trabalha em várias frentes para abrir um canal racional de diálogo e tentar estabelecer uma agenda de negociação.
Déficit bilionário
Durigan lembrou que, de 2009 a 2024, o Brasil acumulou déficit de cerca de US$ 90 bilhões na balança de bens com os EUA — algo em torno de R$ 500 bilhões, considerando o câmbio de R$ 5,50.
Já na balança de serviços, menos comentada, o déficit foi de US$ 40 bilhões, equivalente a R$ 220 bilhões.
“Nós, nesse caso, somos a oposição americana em relação à China. Nós é que somos deficitários em relação aos EUA”, destacou o secretário, lembrando que os americanos justificaram tarifas contra os chineses alegando um elevado déficit comercial, o que não se aplica ao Brasil.
“Quebra de respeito”
Durigan classificou as medidas americanas como uma afronta às boas práticas diplomáticas.
“À luz de 200 anos de parceria e de histórica relação com os EUA, o Brasil vê o tarifaço como uma quebra de respeito e do trato diplomático tão apreciado de parte a parte”, afirmou.
Ele ainda destacou que não faz sentido penalizar empresários que investem no Brasil, sejam nacionais ou estrangeiros, inclusive norte-americanos.
Diversificação de mercados
O secretário ressaltou que o Brasil tem obtido bons resultados com a diversificação de mercados. No início dos anos 2000, 50% das exportações brasileiras iam para os EUA. Hoje, esse percentual está dividido entre Estados Unidos, China e União Europeia, o que trouxe equilíbrio à balança.
Durigan também comparou a política externa com os desafios fiscais do país. Segundo ele, o governo Lula busca retomar o equilíbrio entre receitas e despesas, perdido a partir da crise de 2014.
“Desde o Plano Real até 2014, tínhamos um bom equilíbrio entre receitas e despesas. Em especial nos governos Lula 1 e 2, tivemos muito mais receita do que despesa”, afirmou.
“A partir da crise de 2014, houve uma inversão. Agora, no governo Lula 3, a meta é reconstruir esse equilíbrio e, a partir do ano que vem, gerar superávit primário.”
Durigan concluiu dizendo que a estratégia da Fazenda é recolocar o Brasil nos trilhos, com geração de empregos, manutenção do país fora do mapa da fome e fortalecimento da coesão social.
Fonte: CNN
