O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, declarou nesta quarta-feira (20) que vê com preocupação o envio de navios dos Estados Unidos para a costa da Venezuela. A fala ocorreu durante sessão da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

Segundo Amorim, a movimentação norte-americana se soma a uma retórica perigosa.

“Eu não posso esconder que eu vejo com preocupação o deslocamento de barcos americanos e a maneira de ver a questão. Eu acho que não-intervenção é fundamental. Não-intervenção [é um dos] princípios basilares da política externa brasileira”, afirmou.

O assessor também criticou a narrativa de uso de “força total” contra o crime organizado e defendeu cooperação multilateral.

“As ações ilegais devem ser combatidas com a cooperação dos países e não com intervenções unilaterais”, disse.

📌 Críticas às tarifas dos EUA

Amorim também condenou a imposição de tarifas dos EUA a produtos brasileiros, defendendo o diálogo, mas reconhecendo a dificuldade em negociar com a gestão Donald Trump.

“Com outros países em que a questão tarifária ficou limitada à parte comercial, com o Brasil a carta começa com dois parágrafos que são sobre política interna brasileira. Isso foge totalmente da prática”, afirmou.

O assessor lembrou que a reunião do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com autoridades norte-americanas foi cancelada sem justificativa, e reforçou que a soberania nacional não será negociada.

“Não podemos também ficar implorando para ter relações”, disse.

Amorim ainda criticou a visão de que a América Latina seja tratada como “quintal estratégico” dos EUA.

📌 Israel e Palestina

Durante a sessão, Amorim também abordou o conflito no Oriente Médio. O assessor afirmou que o Brasil defende o direito de Israel existir e condena práticas terroristas, mas rejeita a eliminação em massa do povo palestino.

“Condenamos totalmente o antissemitismo, mas também temos a preocupação que ele seja instrumentalizado para defender qualquer governo de Israel”, declarou.

Fonte: CNN

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