
O Brasil bateu recorde histórico em investimentos em infraestrutura em 2024, somando R$ 260,6 bilhões – acima do pico anterior, registrado em 2014. O feito, porém, não é obra do Estado. Foi o setor privado quem segurou a barra, com crescimento de 22,3% em aportes, enquanto União, estados e municípios reduziram em 7,6% seus desembolsos.
De acordo com estudo da EY e da Abdib, desde 2020 a iniciativa privada banca entre 70% e 74% de tudo que se investe em infraestrutura no país – nível comparável a economias desenvolvidas. A fotografia é positiva, mas o filme pode se complicar: juros altos, falta de confiança e insegurança jurídica ameaçam colocar os futuros projetos na geladeira.
A Selic estacionada em 15% torna inviável o financiamento de obras de transporte e saneamento. O crescimento do PIB deve cair para 2,2% neste ano, o menor em quatro anos. E só 40% dos investidores acreditam em cenário favorável para os próximos seis meses – uma queda brusca de confiança.
O estudo mostra ainda que:
- Rodovias ultrapassaram o saneamento como prioridade de investimento;
- Ferrovias tiveram salto de 61% em aportes, chegando a R$ 17,9 bi em 2024;
- Portos e aeroportos seguem crescendo com concessões privadas;
- Mas o governo federal reduziu sua participação para R$ 48,5 bilhões – um dos menores patamares da década.
O novo PAC (R$ 1,7 trilhão) não convenceu: quase 80% das empresas privadas se mantêm fora do programa, citando desalinhamento estratégico e falhas nas licitações. O BNDES segue atuando como peça-chave, com R$ 49,9 bi desembolsados, mas isolado não dá conta do tamanho da demanda.
Especialistas alertam que o país tem R$ 800 bilhões em projetos estruturados, mas eles só vão sair do papel se houver segurança jurídica, fortalecimento das agências reguladoras e previsibilidade econômica.
No horizonte, há também a COP30 em Belém – vista como oportunidade para investimentos sustentáveis. Mas mais da metade do mercado não aposta em compromissos relevantes do encontro.
O Brasil tem a chance de transformar a infraestrutura em motor de crescimento. Mas, sem estabilidade política e econômica, o risco é de que o recorde de 2024 seja apenas um pico isolado antes de um novo apagão.

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