Durante entrevista à BBC News Brasil em Washington, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que “nossa liberdade vale mais que a economia”, ao comentar as tarifas de 50% impostas pelo ex-presidente Donald Trump a produtos brasileiros. Para ele, o aumento das taxas — que pode afetar até 700 mil empregos no Brasil, segundo especialistas — é um “sacrifício a ser feito” para pressionar o país a “retornar à normalidade democrática”.

Eduardo chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “psicopata” e declarou estar disposto a ir “às últimas consequências” para retirá-lo do cargo. O parlamentar está em Washington ao lado do jornalista Paulo Figueiredo para uma série de reuniões com autoridades do governo Trump, incluindo o senador Marco Rubio, visando discutir novas sanções contra o Brasil e contra autoridades brasileiras.

Segundo Eduardo, as medidas podem atingir inclusive os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), caso não avancem o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e o pedido de impeachment de Moraes. Ele afirmou que, por enquanto, prefere “dar a oportunidade do Congresso funcionar”, mas deixou claro que ambos já estão “no radar” das autoridades norte-americanas.

Licenciado desde março e vivendo no Texas, onde diz estar em “exílio” por perseguição política, Eduardo Bolsonaro é investigado no STF por suposta coação no curso do processo, obstrução de investigação e abolição violenta do Estado democrático de direito. Ele nega as acusações, que classifica como “fantasiosas”.

Ao comentar o impacto das tarifas sobre produtores brasileiros, Eduardo culpou o governo Lula e Moraes: “Uma ditadura merece sanção. Os brasileiros estão entendendo que existe um sacrifício a ser feito”. O deputado também defendeu a aplicação da Lei Magnitsky contra a esposa de Moraes, Viviane Barci, a quem acusa de ter enriquecido após a nomeação do ministro ao STF — acusação que o Supremo não respondeu até a manhã desta quinta-feira.

Mesmo diante de pesquisas do Datafolha indicando que a maioria da população rejeita a anistia, Eduardo afirmou não confiar nos números e disse acreditar que o tema tem “apelo gigantesco”. Para ele, sem medidas como as sanções e a anistia, o Brasil corre o risco de se tornar “uma Venezuela” e perder a possibilidade de eleições livres em 2026, com Jair Bolsonaro como candidato.

“Se depender de mim, vamos continuar dobrando a aposta até que a pressão seja insustentável e as pessoas que sustentam Moraes larguem a mão dele”, afirmou.
Fonte: BBC

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