
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou, nesta terça-feira (12), seu relatório anual sobre direitos humanos e apontou aumento de casos de antissemitismo no Brasil em 2024, além de citar declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o conflito em Gaza.
O documento afirma que, em fevereiro, Lula classificou a ofensiva israelense na Faixa de Gaza como “genocídio” e comparou a situação ao holocausto cometido pelo regime nazista de Adolf Hitler.
“Após a resposta militar de Israel em Gaza aos ataques terroristas do Hamas em outubro de 2023, em 18 de fevereiro, o presidente Lula da Silva declarou que ‘o que está acontecendo na Faixa de Gaza… é um genocídio’. No discurso, ele comparou o que estava ocorrendo na Palestina com ‘quando Hitler decidiu matar os judeus’”, diz o relatório.
A publicação ressalta que a Confederação Israelita Brasileira (Conib) repudiou as falas do presidente, classificando-as como “infundadas” ao associar o Holocausto à defesa de Israel contra o Hamas. No comunicado, a entidade também acusou o governo brasileiro de adotar uma “postura extrema e desequilibrada em relação ao trágico conflito no Oriente Médio”.
Em fevereiro, durante viagem à Etiópia, Lula reforçou a crítica:
“O que está acontecendo na Faixa de Gaza não é uma guerra, mas um genocídio. (…) O que está acontecendo com o povo palestino não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu. Quando Hitler resolveu matar os judeus”, afirmou.
Crescimento dos casos
O Departamento de Estado relata que houve aumento expressivo dos registros de antissemitismo no Brasil após o ataque do Hamas a Israel, em outubro de 2023. Segundo dados citados da Conib e da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), foram 886 casos em 2024 — seis vezes mais que no mesmo período do ano anterior.
O texto também menciona a “Operação Overlord”, do Ministério Público de Santa Catarina, que prendeu quatro supostos integrantes de um grupo neonazista em outubro de 2024.
“Segundo a CNN Brasil, a operação teve como objetivo combater o antissemitismo e o discurso de ódio, além de impedir o planejamento de atos violentos”, registra o relatório.
Procurado pela CNN, o Itamaraty informou que está ciente do documento e fará uma análise antes de se manifestar oficialmente.
Tom mais duro que em 2023
O relatório de 2024 adotou um tom mais crítico em relação ao Brasil, diferente do de 2023, que não apontou mudanças significativas. Entre os destaques, há críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, acusado de “suprimir de forma desproporcional a livre expressão” de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fonte: CNN
