O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (30) a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A informação foi antecipada pelo analista internacional da CNN, Lourival Sant’Anna, e confirmada por autoridades americanas.

De acordo com o Departamento do Tesouro, Moraes é acusado de promover uma “caça às bruxas”, praticar censura e cometer graves violações de direitos humanos.

Em comunicado, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que Moraes “assumiu a responsabilidade de ser juiz e júri em uma caça às bruxas ilegal contra cidadãos e empresas americanas e brasileiras”.

Segundo Bessent, o ministro teria liderado “uma campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias que violam os direitos humanos e processos politizados — inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro”. Ele acrescentou:

“A ação de hoje deixa claro que o Tesouro continuará a responsabilizar aqueles que ameaçam os interesses dos EUA e as liberdades de nossos cidadãos.”

O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, também endossou as acusações. Em nota do Departamento de Estado, disse que Moraes cometeu “flagrantes violações da liberdade de expressão e do direito a julgamento justo”.

“Que este seja um aviso para aqueles que atropelam os direitos fundamentais de seus compatriotas — as togas judiciais não podem protegê-los”, afirmou Rubio.

Segundo o comunicado, Moraes teria usado ordens secretas para obrigar plataformas online, incluindo empresas de mídia social dos EUA, a banir contas de críticos políticos.

O STF foi procurado pela CNN, mas ainda não se manifestou. A Advocacia-Geral da União classificou a sanção como “inaceitável” e garantiu que tomará as medidas cabíveis.


O que é a Lei Magnitsky

Aprovada em 2012, durante o governo Barack Obama, a Lei Magnitsky autoriza os EUA a impor sanções a indivíduos acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. Entre as punições, estão:

  • bloqueio de bens e contas bancárias em solo norte-americano;
  • proibição de entrada nos Estados Unidos;
  • restrições a transações financeiras com cidadãos e empresas americanas.

O dispositivo foi criado após a morte do advogado russo Sergei Magnitsky, que havia denunciado um esquema de corrupção na Rússia e morreu em uma prisão de Moscou, em 2009.


Sanções contra Moraes

Segundo o Tesouro dos EUA, todos os bens e interesses financeiros ligados a Moraes que estejam em território americano ou sob controle de cidadãos dos EUA estão bloqueados. A medida também vale para empresas nas quais o ministro detenha 50% ou mais de participação.

Qualquer transação financeira envolvendo Moraes está proibida, a menos que haja autorização especial. O Tesouro alertou que violações das sanções podem resultar em penas civis ou criminais.

O órgão acrescentou que instituições financeiras estrangeiras que interagirem com Moraes ou suas empresas também podem ser alvo de punições.

Para ser retirado da lista, é necessário comprovar ausência de envolvimento nas acusações, mudança de conduta ou relevância estratégica para a segurança nacional dos EUA.

Fonte: CNN

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