
Às vésperas da entrada em vigor do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos, cresce a expectativa de que parte da produção nacional redirecionada ao mercado interno resulte em queda nos preços de alguns alimentos. Carne, pescados, café e frutas estão entre os principais itens que podem baratear no curto prazo.
No entanto, especialistas alertam que o alívio será pontual e limitado, e que não compensará os efeitos negativos do tarifaço sobre a economia.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (28) que o governo tem pronto um plano de mitigação para os setores mais afetados, além de tentar negociar para excluir alimentos da lista de produtos sobretaxados.
Carne deve sentir primeiro
Segundo o economista Jason Vieira, da Lev, o impacto inicial deve ser mais visível em alimentos perecíveis:
“Alguns perecíveis e também a carne podem ficar mais baratos em curto prazo por causa do tarifaço. No médio prazo não tem como calcular com exatidão, mas esses são os impactos que temos agora.”
O planejador financeiro Gustavo Moreira destaca que a carne bovina deve ser o primeiro item a registrar queda de preços:
“A carne deve sentir primeiro. Menos exportação significa mais carne no Brasil, o que pode aliviar os preços de cortes populares nas próximas semanas.”
De acordo com o IPCA-15, divulgado na semana passada, o filé mignon caiu -1,63%, o contrafilé -1,31% e a alcatra -1,21%. A inflação da carne acumulada em 12 meses até maio foi de 23,48%.
Café e pescados também entram na lista
Outro item em destaque é o café arábica, fortemente exportado aos EUA. “Ainda não ficou mais barato por conta do tarifaço, mas existe essa expectativa para os próximos meses”, avalia Moreira. Segundo o IBGE, o café acumula alta de quase 80% em 12 meses, mas já caiu 0,35% nos primeiros 15 dias de julho.
Os pescados tiveram recuo ainda maior: -2,03%, com destaque para o salmão (-2,36%) e o camarão (-1,80%).
Frutas e suco de laranja
O suco de laranja, no qual o Brasil é líder mundial em exportação, também pode ficar mais barato. A laranja-pera registrou queda superior a 9% nas duas primeiras semanas de julho. Especialistas apontam que a sobretaxa americana deve redirecionar parte da produção ao mercado interno.
Pressão cambial pode anular ganhos
Apesar do alívio nos preços, o economista Jackson Campos, especialista em comércio exterior, adverte que a queda pode ser neutralizada pela pressão no câmbio:
“Menos dólares entrando significa dólar mais caro, o que encarece insumos, combustíveis, produtos importados e até itens básicos.”
Segundo ele, a desvalorização cambial tende a anular os ganhos momentâneos para o consumidor e pode gerar pressão inflacionária em médio prazo.
Fonte: Veja
