
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou neste domingo (27.jul.2025) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “continua e seguirá aberto” para negociar as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos, mas ressaltou que a soberania do Brasil e o Estado democrático de Direito são “inegociáveis”.
Em nota, a pasta chefiada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) destacou que as conversas com os norte-americanos, por orientação de Lula, têm ocorrido “com base em diálogo, sem qualquer contaminação política ou ideológica”.
“O Brasil e os Estados Unidos mantêm uma relação econômica robusta e de alto nível há mais de 200 anos. O governo brasileiro espera preservar e fortalecer essa parceria histórica, assegurando que ela continue a refletir a profundidade e a importância de nossos laços”, diz o comunicado.
A manifestação veio após o presidente norte-americano, Donald Trump, confirmar que o tarifaço começa em 1º de agosto, sem possibilidade de adiamento. “O 1º de agosto é para todos. Todos os acordos começam em 1º de agosto”, declarou o republicano ao lado de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, em Turnberry, na Escócia.
Isolamento e tensão diplomática
Apesar do discurso oficial de buscar diálogo, o governo brasileiro enfrenta um ambiente diplomático deteriorado. Desde que Trump anunciou as tarifas, em 9 de julho, o Planalto adota uma retórica mais dura. Lula afirmou na semana passada que, se Trump estivesse “trucando” ao impor as tarifas, o Brasil “pediria 6” — em referência ao jogo de truco, onde o blefe é uma estratégia central.
O Planalto admite seis meses de isolamento nas relações com os EUA. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ele nunca conseguiu uma reunião com Marco Rubio, chefe do Departamento de Estado norte-americano. Lula, por sua vez, declarou que não teria assunto para tratar com Trump: “Teria de ficar contando piada”, disse.
A situação também é agravada por decisões do ministro do STF Alexandre de Moraes, vistas em Washington como restrições à liberdade de expressão. Em um dos episódios mais recentes, Moraes determinou a retirada do deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) da Praça dos Três Poderes, onde protestava de forma pacífica contra o processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Fonte: Poder 360
