
Dança, teatro e acolhimento se unem no projeto Corpo em Cena, que oferece oficinas gratuitas a mulheres, adolescentes, pessoas trans e travestis em situação de vulnerabilidade atendidos pela Fundação de Ação Social (FAS) em Curitiba.
A ação é promovida pela Cia Kà de Teatro e tem apoio da Lei Paulo Gustavo e da Fundação Cultural de Curitiba. As oficinas começaram no início de julho e seguem até outubro em unidades do Cras Vila Verde, no bairro CIC, e em casas de acolhimento nas regionais Boa Vista e Boqueirão.
Ao todo, são cinco turmas para o público adulto e três para adolescentes acolhidas por decisão judicial.
Arte como ferramenta de reconstrução
Mais do que ensinar dança ou teatro, o projeto busca promover empoderamento, autoestima e expressão corporal. A proposta é inspirada no espetáculo Kraken, da própria companhia, que faz uma crítica ao sistema capitalista e seus impactos sociais.
“Nosso objetivo não é ensinar teatro, mas que essas mulheres se entendam dentro do corpo delas e voltem a se sentir felizes”, explica Beatriz Marçal, coordenadora do projeto.
O ponto alto será a criação e apresentação de uma performance coletiva, resultado das vivências ao longo das oficinas.
Acolhimento e expressão
As oficinas combinam movimentos corporais, alongamentos e exercícios de memória, criando um espaço seguro para que as participantes possam se expressar e redescobrir seus corpos.
“O projeto Corpo em Cena não é apenas arte, é reconstrução”, afirma Kelvin Millarch, diretor da Cia Kà.
A ação está alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, como igualdade de gênero, educação de qualidade e redução das desigualdades.
Para Maria Angélica Porto, 60 anos, participante do grupo do SCFV do Cras Vila Verde, a experiência superou expectativas:
“Achei que não ia gostar, mas estou aqui e adorando. Se tiver toda semana, eu vou estar aqui”, disse.
