
EUA cancelam vistos de ministros do STF após decisão contra Bolsonaro
O governo dos Estados Unidos decidiu cancelar os vistos do ministro Alexandre de Moraes e de outros sete magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo seus familiares. A medida foi interpretada como uma retaliação à decisão de Moraes que impôs tornozeleira eletrônica ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Estão na lista de autoridades afetadas: Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes. A justificativa oficial da Casa Branca aponta que os atingidos se enquadram em casos que “possivelmente teriam consequências adversas e graves para a política externa dos EUA”.
A decisão foi anunciada por Marco Rubio, secretário de Estado do governo de Donald Trump, pré-candidato republicano à presidência em 2024. Até o momento, o STF não se manifestou oficialmente sobre o cancelamento dos vistos.
Por outro lado, os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques não foram incluídos na medida. Mendonça e Marques foram indicados ao STF por Bolsonaro. Fux, por sua vez, tem adotado postura crítica às penas aplicadas a réus envolvidos na tentativa de golpe, o que pode ter influenciado sua exclusão da sanção.
Entre os sete magistrados afetados, todos, com exceção de Moraes e Gilmar Mendes, foram nomeados por governos do PT. Gilmar Mendes foi indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, enquanto Moraes chegou ao STF por escolha do ex-presidente Michel Temer.
Além de votarem de forma alinhada contra o ex-presidente Bolsonaro em investigações e julgamentos, os ministros também apoiaram mudanças nas regras de responsabilização das plataformas digitais — um tema polêmico para Donald Trump, que se opõe à regulação.
A ministra das Relações Institucionais do governo Lula, Gleisi Hoffmann, classificou a decisão dos EUA como “uma afronta ao Poder Judiciário brasileiro e à soberania nacional”.
Fonte: Jovem Pan
