Tarifas de Trump forçam Brasil a buscar novas rotas e fortalecem parceria com China

O anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos já provoca reações no setor produtivo nacional, com possíveis redirecionamentos estratégicos, especialmente em direção ao mercado chinês. No entanto, os impactos variam de setor para setor, de acordo com especialistas consultados pela CNN.

Setores como o agronegócio e a siderurgia, com produtos fortemente demandados pelo mercado chinês, tendem a absorver melhor os efeitos da tarifa imposta por Donald Trump. Por outro lado, produtos semimanufaturados e itens de maior valor agregado, como calçados, máquinas e produtos químicos, devem enfrentar maior dificuldade de inserção em novos mercados.

De acordo com o advogado especializado em comércio exterior Celso Figueiredo, o Brasil pode compensar parte das perdas com os EUA ao intensificar sua presença no mercado asiático, especialmente com o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

“O Brasil pode fazer campanha de promoção da pauta de exportação brasileira. Isso já acontece bastante pela Apex. Então, muito do que a gente exporta vai se acomodar, já que outros mercados capturam esses itens que deixarão de ser vendidos aos EUA”, avalia Figueiredo.

Produtos como carne, café e suco de laranja — que os EUA compram em grandes volumes do Brasil —, devem manter algum nível de exportação mesmo com as novas taxas. Já no caso da siderurgia e do minério, a China aparece como um destino natural, dada sua alta demanda para construção civil e manufatura industrial.

Produtos químicos e manufaturados podem sofrer mais

Para itens com maior complexidade industrial, o cenário é menos otimista. A concorrência com a indústria chinesa, já altamente desenvolvida, pode dificultar o redirecionamento dessas exportações.

“Os produtos brasileiros terão dificuldade de entrada, principalmente os produtos químicos de forma geral e o maquinário. A Embraer talvez tenha uma possibilidade com as companhias aéreas chinesas”, ressalta Figueiredo.


🧭 Brasil mais próximo da China?

Para Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM, o movimento dos EUA é unilateral e politicamente motivado, e pode acelerar a reconfiguração geopolítica no continente.

“O Brasil precisa escolher um outro parceiro comercial para substituir a posição norte-americana e qualquer criança sabe que será a China”, afirmou Trevisan.

O professor também observa que a medida de Trump é um sinal de pressão geopolítica, tanto sobre o Brasil quanto sobre o restante da América Latina, diante do avanço das relações diplomáticas e comerciais com a China.

“Quanto mais os Estados Unidos colocarem pressões nesse volume contra o Brasil, mais a América Latina como um todo se aproximará da China. É nesse sentido que eu acho que é um tiro no pé”, concluiu.

Fonte: CNN

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