
De Kamala Harris ao Irã: as provocações de Lula que desgastaram a relação com Trump
A tarifa de 50% imposta por Donald Trump a produtos brasileiros não se resume ao apoio do ex-presidente norte-americano a Jair Bolsonaro. A medida reflete uma sequência de atritos diplomáticos e declarações provocativas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tensionaram a relação entre os governos.
As declarações do petista, o alinhamento a regimes considerados antiamericanos, e episódios envolvendo o STF e redes sociais, contribuíram para o desgaste. A seguir, os principais momentos de atrito:
📌 Apoio explícito a Kamala Harris
Durante o ciclo eleitoral norte-americano do ano passado, Lula declarou apoio público à então candidata Kamala Harris, adversária de Trump. Em suas falas, o presidente brasileiro afirmou que a vitória de Harris seria “muito mais segura para a democracia americana” e relacionou Trump ao fascismo e ao nazismo, fazendo alusão à invasão do Capitólio em 2021.
📌 Reação a ameaças tarifárias
Em março deste ano, ao ser confrontado com a ameaça de Trump de aplicar uma tarifa de 25% sobre o aço e alumínio importados, Lula respondeu com firmeza:
“Não adianta o Trump continuar gritando de lá, porque aprendi a não ter medo de cara feia. Fale manso comigo, fale com respeito comigo.”
📌 Embaixada dos EUA segue vaga
Desde que Trump reassumiu a presidência, os Estados Unidos não nomearam oficialmente um embaixador para o Brasil. A ausência de uma autoridade diplomática de alto escalão tem sido interpretada como sinal de desprestígio. Atualmente, o encarregado de negócios Gabriel Escobar responde pela embaixada.
📌 Alinhamento a regimes antiamericanos
O governo Lula reforçou vínculos com países frequentemente criticados pelos EUA, como China, Rússia, Irã, Venezuela e Cuba. Na recente cúpula do Brics no Rio de Janeiro, o bloco — do qual o Brasil faz parte — condenou as ameaças tarifárias de Trump. Lula também reiterou a soberania nacional:
“Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja.”
“Não acho responsável um presidente como o dos EUA ameaçar o mundo pela internet. O mundo mudou, não queremos imperadores.”
📌 Aproximação com o Irã e crise diplomática
No ano passado, o Brasil permitiu a atracação de dois navios de guerra iranianos no Porto do Rio de Janeiro, apesar do pedido da embaixadora americana Elizabeth Bagley para impedir a operação. O episódio gerou forte ruído diplomático.
Mais recentemente, o vice-presidente Geraldo Alckmin participou da posse de Masoud Pezeshkian, novo presidente do Irã — país acusado de graves violações de direitos humanos.
📌 Críticas a Trump por Gaza
Lula também criticou Trump após propostas de controle da Faixa de Gaza por parte dos EUA.
“O que aconteceu em Gaza foi um genocídio […] e eu sinceramente não sei se os Estados Unidos, que fazem parte disso tudo, seriam o país para tentar cuidar de Gaza. Quem tem que cuidar de Gaza são os palestinos.”
📌 Atritos envolvendo STF, Musk e redes sociais
Outro ponto de tensão ocorreu com a suspensão do X (antigo Twitter) no Brasil, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. A medida gerou reação da Trump Media e da plataforma Rumble, que processaram Moraes por censura.
Além disso, a primeira-dama Janja criticou Elon Musk — dono do X e aliado de Trump — e elogiou publicamente Moraes em evento internacional sobre desinformação. Nos EUA, o secretário de Estado Marco Rubio anunciou que a Casa Branca avalia aplicar sanções a Moraes com base na Lei Magnitsky.
📌 Boné “Brasil é dos brasileiros”
O governo federal lançou um boné azul com os dizeres “O Brasil é dos brasileiros”, em contraposição ao famoso slogan de Trump, “Make America Great Again”. A ação, coordenada pela Secretaria de Comunicação (Secom), buscou simbolizar soberania, mas foi criticada por soar nacionalista e evocativa de regimes autoritários europeus do século passado.
Fonte: Gazeta do Povo
