
Inflação acumula 5,35% em 12 meses e Brasil estoura meta pela nova regra contínua
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, registrou alta de 0,24% em junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o acumulado em 12 meses chegou a 5,35%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Com isso, o Brasil descumpre formalmente, pela primeira vez, a meta de inflação pela nova regra contínua, em vigor desde janeiro. Essa metodologia prevê que a inflação esteja dentro da faixa de tolerância (entre 1,5% e 4,5%) de forma ininterrupta por pelo menos 12 meses. No caso, o desvio se manteve por seis meses consecutivos.
A consequência imediata será a publicação de uma carta aberta do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando os motivos do estouro da meta e quais medidas serão adotadas.
“Com alta de 6,93% no primeiro semestre do ano, a energia elétrica residencial tem pesado no bolso das famílias, registrando o principal impacto individual (0,27 ponto percentual) no IPCA de 2025. Essa variação é a maior para o período desde 2018″, explicou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.
Segundo o especialista, a tarifa de energia teve comportamento oscilante ao longo do ano: “No início do ano, com o bônus de Itaipu, houve queda em janeiro, reversão em fevereiro, e, posteriormente, entramos em bandeira verde. No mês passado, passou para amarela e, agora, está em bandeira vermelha”, detalhou.
📊 Veja o desempenho dos grupos do IPCA em junho:
- Habitação: +0,99%
- Artigos de residência: +0,08%
- Vestuário: +0,75%
- Transportes: +0,27%
- Saúde e cuidados pessoais: +0,07%
- Despesas pessoais: +0,23%
- Educação: 0,00%
- Comunicação: +0,11%
- Alimentação e bebidas: -0,18% (único grupo em queda)
A meta central de inflação é de 3% ao ano, com uma banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o índice pode oscilar entre 1,5% e 4,5% sem configurar descumprimento. Mas, desde janeiro, o IPCA se mantém acima do limite máximo, o que exige formalmente a manifestação do Banco Central.
Fonte: G1
