IOF: Haddad insiste em aumento, mas Congresso reforça recusa a mais impostos

A reunião entre representantes do governo e da cúpula do Congresso Nacional, realizada na noite de terça-feira (8.jul.2025), teve como objetivo retomar o diálogo sobre o impasse envolvendo o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). No entanto, o encontro foi inconclusivo e deixou claro o desalinhamento entre Executivo e Legislativo sobre o tema.

De um lado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), reiterou que o governo vai se empenhar para convencer o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da elevação das alíquotas do IOF. De outro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), voltou a dizer que a criação de novos tributos ou aumento de impostos não tem espaço no Congresso. Ele defendeu alternativas como corte de despesas para equilibrar as contas públicas.

“Foi uma reunião para retomar o diálogo. Não adiantamos nada. Amanhã vou relatar aos líderes essa disposição de conversar e dizer que estamos à disposição, mas sempre mais propensos a ir pelo caminho de corte de despesas, e não para o aumento de impostos”, afirmou Motta ao Poder360.

A reunião ocorreu na residência oficial da presidência da Câmara e contou com a presença de:

  • Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado;
  • Gleisi Hoffmann (PT-PR), ministra das Relações Institucionais;
  • Jorge Messias, advogado-geral da União;
  • Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso;
  • Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado;
  • José Guimarães (PT-CE), líder do PT na Câmara.

Na quarta-feira (9.jul.2025), Hugo Motta e Davi Alcolumbre devem se reunir com os líderes partidários para relatar o clima da conversa. Não há previsão de acordo imediato, e o governo segue pressionado por soluções fiscais após o Congresso derrubar, em 27 de junho, o decreto presidencial que aumentava o IOF.

A decisão do Congresso levou o governo a recorrer ao STF, que, em 4 de julho, por meio do ministro Alexandre de Moraes, suspendeu tanto o decreto quanto sua anulação pelo Legislativo. O despacho, na prática, manteve o IOF com as alíquotas anteriores, o que frustrou os planos do governo.

A arrecadação de junho bateu recorde com R$ 8 bilhões em IOF, o maior valor desde 2005. Em julho, com a suspensão da alta, o governo estima perder R$ 2 bilhões em receitas.

Durante a reunião, representantes do governo também demonstraram incômodo com a campanha nas redes sociais contra o Congresso e, especialmente, contra Hugo Motta. Apesar das críticas partirem de perfis ligados ao PT e ao governo, Gleisi Hoffmann foi uma das primeiras a se posicionar contra esse tipo de estratégia. Ainda assim, o Legislativo entende que houve liberação velada da militância para atacar os parlamentares.

Fonte: Poder 360

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