O presidente Lula na comemoração dos 45 anos do PT, no Rio de Janeiro: seu candidato é favorito
Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

O que está acontecendo
O PT realiza neste sábado (6) a primeira eleição interna pós-Lava Jato. O favorito é Edinho Silva, ex-ministro de Dilma e atual prefeito de Araraquara (SP), com o apoio da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no partido e ligada diretamente ao presidente Lula.

A eleição marca o fim da gestão de Gleisi Hoffmann, que liderou o partido por oito anos, atravessando o período mais crítico da legenda após as denúncias da Lava Jato. O novo presidente assumirá o desafio de reposicionar o PT em um cenário de fragmentação da base aliada no Congresso e avanço da direita nas redes e nas urnas.

Disputa interna: centro ou esquerda?
A principal disputa interna gira em torno do futuro do partido: dialogar mais com o centro, como defende Edinho, ou radicalizar à esquerda e resgatar as raízes ideológicas, linha representada pelo deputado federal Rui Falcão (SP).

A CNB, corrente de Lula, Gleisi e Haddad, aposta em conciliação e amplitude — modelo que garantiu as vitórias de Lula. Já Falcão sustenta que esse movimento afastou o PT de suas bases históricas. Ele cita pautas como o fim da jornada 6×1 e a isenção de IR até R$ 5 mil como bandeiras capazes de reconectar o partido com os trabalhadores.

De volta ao jogo, mas ainda longe da hegemonia
Apesar de ter reconquistado a Presidência e ampliado o número de filiados e prefeitos, o PT ainda enfrenta dificuldades de articulação no Congresso. Com a terceira maior bancada, o partido tem enfrentado votações apertadas, com apoio parcial da base e ataques constantes da oposição.

A nova gestão herdará a missão de recuperar o espaço político e rejuvenescer o partido, que perdeu tração entre os jovens após a Lava Jato. A aposta é que lideranças renovadas, como Guilherme Boulos, ajudem a retomar esse elo.

Bastidores e futuro do PT
Nos bastidores, Lula nunca declarou voto, mas o apoio a Edinho é dado como certo. Com o favoritismo garantido, o ex-ministro deve ser confirmado como novo presidente do partido neste domingo (7).

Seja qual for o eleito, o novo presidente terá nas mãos a missão de articular candidaturas fortes nas eleições municipais de 2024, defender a narrativa econômica do governo e construir uma base sólida para o projeto de reeleição de Lula em 2026.

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