Lula critica Otan e alerta para risco de catástrofe nuclear durante abertura da Cúpula dos Brics

Durante o discurso de abertura da Cúpula dos Brics neste domingo (6/7), no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e alertou para a retomada de uma “corrida armamentista”, ressuscitando o temor de uma catástrofe nuclear.

“A recente decisão da Otan alimenta a corrida armamentista. É mais fácil destinar 5% do PIB para gastos militares do que alocar os 0,7% prometidos para Assistência Oficial ao Desenvolvimento. Isso evidencia que os recursos para implementar a Agenda 2030 existem, mas não estão disponíveis por falta de prioridade política”, afirmou Lula.

“É sempre mais fácil investir na guerra do que na paz”, completou.

A fala é uma reação à decisão da Otan, no fim de junho, de aumentar os gastos com defesa para 5% do PIB de seus países-membros. A medida tem o apoio do recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que considerou o acordo uma “grande vitória para a Europa e… civilização ocidental”.


⚠️ Risco nuclear e críticas à ONU

Lula também alertou sobre o uso político de agências multilaterais, como a Agência Internacional de Energia Atômica, e comparou a atual retórica internacional à usada durante a invasão do Iraque em 2003.

“Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais”, disse.
“A instrumentalização dos trabalhos da Agência Internacional de Energia Atômica coloca em jogo a reputação de um órgão fundamental para a paz. O temor de uma catástrofe nuclear voltou ao cotidiano”, afirmou.

As declarações ocorreram dias após os EUA e Israel realizarem ataques aéreos a instalações nucleares iranianas, com a justificativa de conter a fabricação de armas atômicas. O Irã, por sua vez, insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos.


💣 Gaza: Lula volta a acusar Israel de genocídio

Em sua fala, Lula retomou críticas ao conflito em Gaza, afirmando que a fome tem sido usada como arma de guerra por Israel. Ele também condenou as ações do Hamas, mas destacou a gravidade das operações israelenses.

“Absolutamente nada justifica as ações terroristas perpetradas pelo Hamas. Mas não podemos permanecer indiferentes ao genocídio praticado por Israel em Gaza e à matança indiscriminada de civis inocentes e o uso da fome como arma de guerra”, disse.

Lula reforçou a defesa histórica do Brasil pela criação de um Estado palestino:

“A solução desse conflito só será possível com o fim da ocupação israelense e com o estabelecimento de um Estado palestino soberano, dentro das fronteiras de 1967.”


🕊️ Ucrânia e mediação pela paz

De maneira mais diplomática, o presidente também mencionou a guerra na Ucrânia, sem citar diretamente a Rússia, país membro dos Brics:

“É urgente que as partes envolvidas na guerra na Ucrânia aprofundem o diálogo direto com vistas a um cessar-fogo e uma paz duradoura.”

Ele lembrou a iniciativa conjunta de Brasil e China para tentar mediar o fim das hostilidades:

“O Grupo de Amigos para a Paz, criado por China e Brasil, que conta com a participação de países do Sul Global, procura identificar possíveis caminhos para o fim das hostilidades.”


🌍 Brics e geopolítica

A Cúpula dos Brics, realizada no Rio de Janeiro, reúne representantes de 11 países: Brasil, Rússia, China, Índia, Irã, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Egito. O grupo representa quase metade da população mundial e cerca de 40% do PIB global.

Fonte: BBC

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