“Frente Povo Sem Medo” intensifica protestos em apoio à taxação dos super-ricos e mira Congresso e bancos como símbolos da elite econômica

Protestos da esquerda radical ganham corpo e partem para ofensiva em defesa da taxação dos super-ricos
As invasões de militantes de esquerda que tomaram agências bancárias em São Paulo não foram um ato isolado — e Brasília está na mira para as próximas ações. O movimento, liderado pela Frente Povo Sem Medo, tem como bandeira a taxação dos super-ricos e busca pressionar o Congresso Nacional a aprovar medidas defendidas pelo governo Lula.
A ofensiva começou com força simbólica: a ocupação da agência do Itaú na Avenida Faria Lima, coração do mercado financeiro. A escolha não foi por acaso: além de representar o “grande capital”, o prédio avaliado em R$ 1,5 bilhão tem paredes de vidro — ideais para exibição midiática e viralização nas redes.
“O povo não vai pagar a conta”: o recado direto ao Congresso

Com faixas como “Taxação dos super-ricos já!” e “Chega de mamata”, os manifestantes — entre eles membros do PT, PCdoB e lideranças ligadas ao deputado Guilherme Boulos (PSOL) — exigem que bilionários, bancos e casas de apostas sejam incluídos no esforço fiscal do país. Segundo o movimento, trata-se de “incluir os ricos no Imposto de Renda e o povo no orçamento”.
O protesto também tem alvo definido: o Congresso Nacional, que analisa projetos sobre a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e a taxação de grandes fortunas, proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda no G20 de 2024.
Radicalização programada e estratégia eleitoral à vista
O sinal dessa guinada à esquerda, segundo analistas, partiu do próprio Lula, que em Salvador ergueu um cartaz defendendo a taxação dos super-ricos. O gesto foi interpretado como uma autorização tácita para a escalada dos atos.
A narrativa também tem slogan: “Pobres contra ricos”. A nova campanha da base petista para 2026 foca em polarizar a disputa econômica, revivendo o mote clássico do lulismo: “Incluir os pobres no orçamento e os ricos no Imposto de Renda”.
A sigla dos “3 Bs” — bilionários, bancos e bets (casas de apostas) — passa a ser o novo inimigo comum das ruas à esquerda. A Frente já convocou novo ato para o dia 10 de julho, na Avenida Paulista, com o mote: “Contra esse Congresso inimigo do povo”.
Classe média no fogo cruzado
Apesar do discurso voltado aos bilionários, críticos alertam que o impacto real recairá sobre a classe média, que deve arcar com o custo das reformas. Ainda assim, o discurso é eficiente politicamente: alimenta o antagonismo social, simplifica a mensagem e fortalece o campo ideológico da esquerda.
A esquerda prepara o terreno para 2026 com uma campanha que aposta no confronto direto entre classes sociais. As invasões, antes pontuais, agora se anunciam como parte de uma estratégia nacionalizada, com apoio velado do Planalto e foco nos símbolos do capital. O confronto está só começando — e a disputa por narrativa vai invadir tanto os palanques quanto as agências bancárias.
