Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca nesta quarta-feira (3) em Buenos Aires para participar da Cúpula do Mercosul — e fará uma visita simbólica e carregada de significado político: irá até a residência da ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar por corrupção, após ser condenada a seis anos de prisão pela Suprema Corte argentina.

Autorizado pela Justiça local, o encontro ocorre no momento em que Kirchner, mesmo condenada e proibida de ocupar cargos públicos, articula uma possível candidatura ao Congresso argentino nas eleições legislativas de setembro.

“Cristina é vítima de perseguição política”, disse Lula ao manifestar solidariedade à aliada em junho, após a confirmação da sentença. “Falei da importância de que se mantenha firme neste momento difícil.”

Kirchner, que governou de 2007 a 2015 e foi vice de 2019 a 2023, foi condenada no escândalo conhecido como Vialidad, por favorecer o empresário Lázaro Báez em contratos públicos na Patagônia.

Esta será também a primeira visita de Lula à Argentina desde que Javier Milei, seu desafeto político, assumiu a presidência. Lula, inclusive, comandará o Mercosul no próximo semestre, aumentando o peso geopolítico de sua viagem.

O juiz Jorge Gorini, que autorizou a visita, estabeleceu regras: o presidente brasileiro deve evitar tumultos e não perturbar a vizinhança.

O gesto de Lula evoca o histórico de reciprocidade política: em 2019, quando preso em Curitiba, foi ele quem recebeu a visita de Alberto Fernández, então candidato à presidência da Argentina, ao lado de Kirchner, sua vice.

A visita de Lula a Cristina Kirchner, em pleno cenário de condenação judicial e enfrentamento político, é mais que um ato de solidariedade — é uma reafirmação de alianças históricas, em contraste com o novo eixo conservador representado por Milei. O gesto desafia o cenário diplomático regional e antecipa a temperatura da presidência brasileira no Mercosul.

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