
Avanço de montadoras chinesas lideradas pela BYD preocupa indústria nacional e pressiona governo
A expansão acelerada das montadoras chinesas no Brasil, com destaque para a BYD, tem provocado apreensão na indústria automotiva nacional. A estratégia inclui aumento das importações e instalação de fábricas no país, embora projetos como os da própria BYD e da GWM enfrentem atrasos. A situação já mobiliza o setor, que teme impactos sobre empregos, investimentos e a sustentabilidade do mercado, levando a uma pressão por revisão nas tarifas de importação. Enquanto isso, na China, BYD e concorrentes travam uma intensa guerra de preços, que levanta dúvidas sobre a viabilidade financeira de suas operações.
Nesta terça-feira (1º), a BYD apresentou em Camaçari (BA) os dois primeiros veículos produzidos em fase de testes: os modelos Dolphin Mini e Song. A produção, em um primeiro momento, seguirá o sistema SKD, no qual os veículos chegam com carroceria soldada e pintada, sendo finalizados localmente com componentes em parte importados.
A montadora ainda aguarda as licenças necessárias para operar plenamente, mas espera obtê-las nas próximas semanas. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que pretende atuar para agilizar o processo de regularização da unidade, instalada na antiga fábrica da Ford.
Com o avanço do projeto, a expectativa da BYD é reduzir a dependência das importações. Para isso, anunciou a criação de 3 mil novos postos de trabalho na planta baiana, que deve se tornar a maior da empresa fora da Ásia. Hoje, a fábrica conta com cerca de 800 funcionários.
O investimento na unidade soma R$ 5,5 bilhões e a planta poderá atender tanto o mercado interno quanto servir de base para exportações às Américas. Quando estiver totalmente operacional, a fábrica terá capacidade de produzir até 600 mil veículos por ano. A vice-presidente global da BYD, Stella Li, destacou que a instalação será uma das mais modernas da empresa, com foco em carros elétricos e híbridos de última geração.
Embora ainda não haja uma data oficial de inauguração, o governador Rodrigues indicou que pretende transformar a ocasião em um evento de destaque, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como forma de alavancar a imagem do governo.
Presente no Brasil há cerca de 10 anos, a BYD já conta com fábricas de chassis de ônibus elétricos e módulos solares em Campinas, além de uma planta de baterias em Manaus. A atuação no mercado automotivo nacional começou há apenas três anos, mas já registra um crescimento expressivo.
De acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), a BYD alcançou 5,42% do mercado varejista de carros novos no país em 2024, superando marcas tradicionais como Renault, Nissan, Peugeot e Citroën. Com forte investimento em pesquisa e desenvolvimento — somente na sede na China são cerca de 120 mil engenheiros — a empresa demonstra ambição e rapidez para consolidar sua presença no Brasil.
Fonte: Gazeta do Povo
