Fomento Paraná poderá investir até R$ 80 milhões como cotista sênior nos fundos. Objetivo é baratear o crédito rural e fortalecer a cadeia produtiva agroindustrial no Estado.

A Fomento Paraná, instituição financeira vinculada ao Governo do Estado, lançou nesta semana uma nova chamada pública para selecionar projetos de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) voltados ao agronegócio paranaense. A medida integra a estratégia estadual de ampliação do crédito com juros baixos e acesso facilitado ao setor produtivo rural.
A instituição poderá atuar como única cotista sênior, com aportes de R$ 30 milhões a R$ 80 milhões por fundo, representando até 20% do patrimônio líquido de cada estrutura. A remuneração mínima esperada é de 4% ao ano, o que viabiliza taxas finais próximas às praticadas no Plano Safra — muito abaixo do custo de mercado.
Objetivo: impulsionar o agro com crédito acessível
Segundo o diretor-presidente da Fomento Paraná, Claudio Stabile, o edital busca consolidar um modelo iniciado em 2024 junto à B3, que agora avança para a implementação de fundos com prestadores de serviço indicados pelos próprios proponentes — como gestoras, administradoras e analistas de crédito.
“Agora os proponentes apresentarão não apenas o modelo de FIDC, mas também os parceiros responsáveis pela operação”, afirmou.
A diretora financeira da instituição, Mayara Puchalski, reforça que o modelo permitirá a oferta de crédito barato com impacto direto na geração de empregos, renda no campo e arrecadação estadual.
Quem pode participar
A chamada é voltada para cooperativas, agroindústrias e fornecedores ligados à cadeia agroindustrial do Paraná, com sede no Brasil e pelo menos uma unidade no Estado. Os fundos devem estar em fase pré-operacional e ainda sem cotistas ou patrimônio constituído.
As propostas devem seguir as normas da Resolução CMN nº 2.907/2001 e da nova Resolução CVM nº 175/2022, sendo os FIDCs estruturados como condomínio fechado e prazo máximo de 10 anos.
Responsabilidades e estrutura dos fundos
A proponente será responsável pela indicação e qualificação dos prestadores de serviços essenciais e não essenciais, mediante termo de responsabilidade. Os fundos devem prever aquisição de créditos de pessoas físicas ou jurídicas no Paraná, sem abrangência nacional.
O gerente financeiro da Fomento Paraná, Eduardo Bassi Murro, destacou que cada fundo terá uma estrutura personalizada e poderá contar com cotas subordinadas ou mezanino, dependendo da estratégia do proponente.
“A proposta de fundo é construída de forma conjunta, podendo os parâmetros serem ajustados na fase de estruturação”, explicou.
Com foco estratégico no agronegócio, o Paraná avança na criação de instrumentos financeiros modernos e seguros para garantir crédito acessível ao campo. O modelo de FIDCs com participação pública majoritária oferece um caminho de fomento sustentável, previsível e descentralizado, fortalecendo a economia regional e reduzindo a dependência de linhas tradicionais de financiamento.
Fonte:AEN
