O PT publicou nesta sexta-feira (27) uma nova peça publicitária nas redes sociais reforçando a estratégia de acirrar o confronto entre pobres e ricos — um dos motes centrais do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A propaganda, marcada por imagens que remetem a opressão social e luta de classes, usa um tom emocional para defender a reforma do Imposto de Renda e a taxação dos super ricos, bancos e casas de apostas.

VEJA O VÍDEO NA ÍNTEGRA:

O vídeo retrata os pobres como trabalhadores exaustos, carregando sacos pesados rotulados como “imposto”, enquanto homens brancos e ricos aparecem relaxados com sacos minúsculos nas mãos. A narração segue um roteiro clássico de justiça social:

“No Brasil, quem vive de salário sempre carregou o maior peso dos impostos. Já os super ricos pagam proporcionalmente bem menos. […] Taxação BBB: bilionários, bancos e bets.”

Com estética que remete a obras como “Os Miseráveis” e “Germinal”, o material ecoa o imaginário revolucionário do século 19, numa tentativa de romantizar a ideia do Estado como salvador dos oprimidos.

Aposta política pode ter efeito colateral nas urnas

Apesar da força simbólica da propaganda, analistas e até setores internos do PT alertam para o risco da estratégia polarizante. Estudos da Fundação Perseu Abramo, ligada ao próprio partido, já mostraram que muitos eleitores pobres sonham em ascender economicamente por mérito e empreendedorismo, especialmente entre os evangélicos, que hoje representam cerca de 35% do eleitorado.

A mensagem de que o “rico é vilão” pode colidir com o desejo de mobilidade social e ser percebida como simplista ou demagógica, num contexto em que boa parte da população busca prosperar por conta própria — e não apenas com apoio estatal.

Gastos em alta e arrecadação em queda: o pano de fundo fiscal

Enquanto investe no discurso da justiça social, o governo evita mencionar os crescentes gastos públicos e a falta de cortes efetivos. Em dois anos de mandato, Lula aumentou despesas sem apresentar contrapartidas estruturais, gerando críticas do Congresso e do mercado.

Programas como o Bolsa Família continuam centrais na política social, mas denúncias de fraudes reveladas por auditores — com perdas estimadas em R$ 11 bilhões por ano — colocam em xeque a eficiência da gestão.

Além disso, o governo sofreu derrotas recentes no Legislativo, com a derrubada de medidas provisórias e decretos que buscavam elevar a arrecadação, como no caso do IOF. O plano de Fernando Haddad de equilibrar o orçamento por meio de aumento de impostos enfrenta resistência, inclusive de aliados.

Agora, o Planalto estuda alternativas fiscais, como acionar o STF ou promover cortes no orçamento, o que pode comprometer ainda mais sua agenda social.

Ao dobrar a aposta em uma retórica de antagonismo social, o PT tenta recuperar terreno político com uma narrativa simples, mas arriscada. O embate entre ricos e pobres pode gerar engajamento nas redes, mas também alienar segmentos decisivos do eleitorado, especialmente os que enxergam na ascensão econômica um valor, e não uma exceção. O desafio será equilibrar discurso com resultado — e ideologia com governabilidade.

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