Em evento no Tocantins, presidente volta a criticar ruralistas aliados de Bolsonaro, mas promete crédito bilionário ao setor no novo Plano Safra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra setores do agronegócio durante evento de reforma agrária nesta sexta-feira (28), em Araguatins (TO), ao comentar o lançamento do novo Plano Safra. Sem poupar palavras, Lula cutucou produtores que apoiaram financeiramente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e destacou que o critério para acesso a crédito rural será produção — não ideologia.
“Eu não quero saber se ele é um fazendeiro que faz Pix para ajudar o Bolsonaro na vagabundagem dele. O que eu quero saber é: se ele está produzindo para esse país, ele vai ter crédito”, disparou Lula, arrancando aplausos da plateia formada em sua maioria por pequenos agricultores.
Racha com o agro e recado direto
A fala do presidente foi interpretada como um recado aos grandes produtores rurais que seguem alinhados à direita e tiveram forte presença nos atos antidemocráticos investigados pela CPI do 8 de Janeiro. Relatórios da Abin revelaram que lideranças do agronegócio doaram mais de R$ 100 mil à campanha de Bolsonaro e bancaram eventos golpistas, como o de 7 de Setembro de 2021.
Apesar das críticas, Lula reconheceu a importância do setor:
“Devemos muito à agricultura brasileira. O Brasil está virando o grande celeiro do mundo.”
Crédito bilionário e reforma agrária no centro do discurso
O presidente prometeu recorde de investimento no novo Plano Safra, que será lançado oficialmente no início da próxima semana, e confirmou que também haverá uma edição específica para a agricultura familiar, chamada Safrinha.
- Em 2024, o governo liberou R$ 475,5 bilhões em crédito rural, um aumento de 9,1% em relação ao ano anterior.
- Lula garantiu que tanto os grandes quanto os pequenos produtores terão acesso ao crédito:
“Vamos fazer o maior crédito para o grande e para o pequeno produtor”, reforçou.
Durante o evento no Tocantins, Lula também assinou a cessão e regularização de 1,9 milhão de hectares da União para a reforma agrária, medida vista como estratégica para sua base de apoio no campo.
Contexto político e tensão com o agro
Lula enfrenta baixa popularidade nas regiões dominadas pelo agronegócio, como Centro-Oeste, Sul e Norte. Desde a eleição de 2022, tenta recompor pontes com o setor, mas esbarra na forte ligação dos ruralistas com Bolsonaro — grupo que ele não parece disposto a tolerar passivamente.
Fonte: UOL
