Família da brasileira morta na Indonésia critica demora em resgate; presidente promete revogar decreto de 2017

A morte da jovem brasileira Juliana Marins, de 31 anos, na Indonésia, provocou uma comoção que agora pode resultar em mudança na legislação federal. Nesta quinta-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que irá revogar o decreto de 2017 que impede o governo de arcar com despesas de traslado de corpos de brasileiros mortos no exterior.
“Vamos cuidar de todos os brasileiros, estejam eles onde estiverem”, disse Lula, ao prometer um novo decreto que autorize o custeio pelo Ministério das Relações Exteriores. Ainda não foram divulgados os detalhes da nova norma.
A regra atual, estabelecida durante o governo Michel Temer, proíbe que o Itamaraty custeie o transporte dos corpos, mesmo em situações trágicas como a de Juliana, que caiu da cratera de um vulcão na Indonésia no último sábado (21). O corpo só foi resgatado três dias depois, já sem vida.
O presidente também afirmou que conversou pessoalmente com o pai de Juliana, Manoel Marins, e determinou ao Itamaraty que ofereça “todo apoio necessário” à família — inclusive, excepcionalmente, o transporte do corpo de volta ao Brasil.
Tragédia no exterior gera comoção nacional e cobrança por mudança
Juliana caiu de uma borda do vulcão Ijen, conhecido ponto turístico na Indonésia. O grupo em que ela estava enfrentou dificuldades para acionar o socorro: um dos integrantes precisou caminhar por horas até encontrar ajuda. O resgate só foi possível três dias depois, sob condições climáticas adversas. A família acusa as autoridades locais de negligência e demora no atendimento.
O corpo foi levado para Bali nesta quinta-feira, onde passará por autópsia para esclarecer as circunstâncias da queda.
A repercussão do caso reacendeu o debate sobre a responsabilidade do Estado brasileiro com seus cidadãos no exterior, especialmente em situações de risco, desastre ou morte.
Análise editorial: A tragédia expõe uma lacuna humanitária na legislação brasileira e pressiona o governo a criar uma resposta mais ágil e solidária. A promessa de Lula de mudar o decreto pode representar um divisor de águas na assistência consular.
Fonte:Bem Paraná
