Depoimentos devem ser tomados em até cinco dias

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acionou a Polícia Federal para ouvir os advogados Fábio Wajngarten e Paulo Cunha Bueno, que atuaram na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por indícios de obstrução em investigações sobre uma tentativa de golpe contra a democracia.
A decisão ocorre após a defesa do tenente-coronel Mauro Cid — ex-ajudante de ordens e delator — apresentar documentos que indicam que o advogado Eduardo Kuntz, que representa o coronel Marcelo Câmara, teria procurado a filha menor de idade do delator para apagar mensagens e marcar encontros discretos. Kuntz, que já era alvo da investigação, nega ter feito pressão e diz que as conversas giraram apenas em torno de uma competição de equitação da filha de Cid.
Além disso, a defesa de Cid acusa que tanto Kuntz quanto Bueno tentaram “cercar” a mãe do coronel e que Wajngarten procurou insistentemente a mulher e a filha adolescente do delator. Moraes reforçou que essas atitudes configuram, em tese, o crime de obstrução da Justiça em inquérito que apura crimes contra o Estado Democrático de Direito.
A PF terá cinco dias para ouvir os advogados e também incluir aos autos as mensagens extraídas do celular da filha de Cid. Com novos desdobramentos a caminho, o cerco sobre a defesa de Bolsonaro e seus auxiliares se fecha cada vez mais.
A decisão de Moraes intensifica a pressão sobre o entorno jurídico do ex-presidente Bolsonaro, em meio a uma investigação que já desdobrou a antiga estrutura palaciana. Enquanto o STF aprofunda as apurações, a estratégia da defesa e as movimentações nos bastidores ganham novos contornos e apontam para dias decisivos.
Fonte: CNN Brasil
