
Vereador Da Costa critica Câmara de Curitiba por votação acelerada da Previdência: “Se fosse porco, teriam mais atenção”
A votação de mudanças na Previdência dos servidores municipais de Curitiba gerou forte repercussão na Câmara Municipal nesta segunda-feira. O vereador Alexandre Da Costa (União), conhecido como “Perdeu Piá”, fez um duro pronunciamento contra a forma como o projeto foi apresentado e votado: apenas 20 minutos antes do início da sessão plenária, a Prefeitura protocolou um substitutivo com nova redação da proposta.
Ex-policial militar e ex-servidor público, Da Costa demonstrou indignação com o que classificou como desrespeito ao funcionalismo da capital. “Se estivéssemos falando aqui sobre cachorro, sobre gato, sobre gado, sobre porcos, muitos vereadores iam partir em defesa. Mas como estamos falando de trabalhadores da nossa cidade, pessoas honestas que dedicaram suas vidas a Curitiba, aí poucos vereadores vão defender os servidores”, criticou.
O vereador, que se declara independente, questionou a legalidade e a moralidade da votação relâmpago. “É realmente lamentável a forma como as coisas são conduzidas na Câmara de Curitiba. Eu não sei se o projeto é bom ou ruim, porque fazem as coisas de um jeito que nós vereadores não podemos avaliar. Esse projeto chegou 20 minutos antes de começar a sessão”, denunciou.
Da Costa ainda ironizou o possível motivo da manobra. “Foi feito um substituto, até não sei se para driblar a imprensa, porque na semana passada esses regimes de urgência tomaram uma grande repercussão”, afirmou.
O caso remete a outros episódios recentes, em que a Prefeitura utilizou o regime de urgência para acelerar votações, como a da criação de uma empresa para gerenciar Parcerias Público-Privadas (PPPs). Desta vez, no entanto, o projeto original da reforma previdenciária tramitou normalmente, mas foi substituído de última hora por uma versão inteiramente nova — estratégia que impediu os vereadores de analisarem adequadamente a proposta.
A oposição chegou a solicitar o adiamento da votação por pelo menos 24 horas, mas o pedido foi rejeitado pela base do prefeito Eduardo Pimentel (PSD). O substitutivo foi aprovado mesmo com protestos de parlamentares como Da Costa, que considerou a condução “imoral”, ainda que tecnicamente legal.
“Como votar sem entender? Como tomar uma decisão que afeta milhares de servidores sem saber do que se trata? Isso é democracia?”, questionou o vereador.
Fonte: Plural Curitiba
