Imagem: Reuters – UOL divulgação

O Oriente Médio voltou a ser palco de tensão militar neste domingo (23). Mísseis lançados pelo Irã em direção à base aérea de Al-Udeid, no Catar — a maior instalação militar dos Estados Unidos na região — foram interceptados, segundo o governo catariano. Apesar das explosões que ecoaram no céu de Doha, não há registro de vítimas.

O ataque é uma resposta direta aos bombardeios norte-americanos realizados no sábado (21) contra três instalações nucleares iranianas — Fordow, Natanz e Esfahan —, no contexto de uma escalada de tensões iniciada pelo ataque de Israel ao Irã em 13 de junho.

Em comunicado oficial, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que a ofensiva teve caráter retaliatório: “As poderosas forças armadas da República Islâmica destruíram a base aérea americana em Al-Udeid”. O texto destaca que o número de mísseis disparados correspondeu à quantidade de bombas usadas pelos EUA no ataque anterior.

Apesar da contundência do comunicado, o Irã fez questão de ressaltar que a ação não teve como alvo a população ou o território soberano do Catar. “Esta ação não representa ameaça ao nosso país amigo e irmão”, informou o governo iraniano, prometendo manter relações “calorosas e históricas” com o vizinho.

A rede Al Jazeera, sediada em Doha, relatou explosões e sinalizadores no céu da capital. O espaço aéreo do país foi fechado temporariamente, e a evacuação da base já havia sido realizada como medida preventiva, diante da escalada regional.

O ministro das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, classificou o ataque como uma violação da soberania nacional. “Nos reservamos o direito de responder de forma proporcional à agressão sofrida”, afirmou o chanceler, destacando que a ação foi frustrada pelas defesas aéreas do país.

O pano de fundo: o temor nuclear

A ofensiva iraniana surge em um contexto marcado por acusações crescentes contra o programa nuclear do país. Israel vem alegando que Teerã está próximo de desenvolver uma arma atômica — o que motivou o ataque israelense em 13 de junho. Na sequência, os EUA miraram diretamente as instalações nucleares do Irã, reacendendo o alerta global.

O Irã nega as acusações, assegurando que seu programa é voltado exclusivamente para fins pacíficos. Mesmo sem provas conclusivas de que o país esteja fabricando armas nucleares, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem criticado o governo iraniano por falta de transparência. Em contrapartida, Teerã acusa a AIEA de agir sob influência de potências ocidentais, como Estados Unidos, França e Reino Unido.

A tensão ganha ainda mais contornos geopolíticos com a retomada do discurso de Donald Trump, presidente dos EUA, que passou a questionar relatórios anteriores de sua própria inteligência — os quais indicavam que o Irã não buscava construir armas nucleares.

Enquanto o Irã é alvo de sanções e pressões diplomáticas, Israel, que historicamente se opõe a um Irã nuclear, jamais reconheceu oficialmente seu próprio arsenal. Diversas investigações, no entanto, apontam que o país possui cerca de 90 ogivas desde a década de 1950 — embora não seja signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

Com a escalada atual, o cenário no Oriente Médio se torna ainda mais volátil. Embora o ataque ao Catar não tenha deixado vítimas, a mensagem do Irã é clara: a retaliação entrou em curso. A pergunta que permanece é: até onde vai essa guerra de nervos?

Fonte: Agência Brasil

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