Comunicado oficial do governo Lula contra a ofensiva americana no Irã reacende críticas sobre a proximidade do Brasil com regimes autoritários.

Governo Lula critica bombardeio dos EUA
O governo Lula classificou o bombardeio dos Estados Unidos contra três instalações nucleares do Irã como uma “violação da soberania” e do direito internacional. A nota oficial, divulgada pelo Itamaraty neste domingo (22), reforça o alinhamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com ditaduras e regimes autoritários. A oposição reagiu duramente, criticando a postura do governo federal.
Operação contra o Irã
No último dia 13, Israel lançou a “Operação Leão Ascendente”, alegando que o regime dos aiatolás estaria próximo de obter uma arma nuclear. O então presidente americano Donald Trump respondeu autorizando o bombardeio contra as usinas nucleares de Fordow, Natanz e Esfahan, executado na noite de sábado (21).
Netanyahu e Trump defendem a força contra o Irã
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que ele e Trump defendem a estratégia de “paz por meio da força”, destacando que “primeiro vem a força, depois a paz”. Já o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou fotos com Trump e Netanyahu, com a legenda: “Dê-me 50% da Câmara e 50% do Senado que eu mudo o destino do Brasil”.
Família Bolsonaro reforça apoio à ofensiva
O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos, afirmou que “bandidos e ditadores só entendem a linguagem da força”. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) compartilhou um vídeo do apresentador Ratinho, que criticou o governo Lula por focar em conflitos externos enquanto negligencia os problemas internos: “O governo Lula não consegue fazer o arroz com feijão e quer se meter na guerra da Ucrânia, de Israel e Irã”.
Diplomacia em xeque
O senador Carlos Viana (Podemos-MG) afirmou que o Brasil precisa retomar uma postura equilibrada. “Defender Israel é defender a democracia e os direitos humanos. Não podemos nos calar diante das ameaças do Irã contra Israel”, disse. Sergio Moro (União-PR) alertou que o país segue despreparado: “Enquanto isso, o Brasil continua despreparado e completamente desorientado na ordem internacional”.
Marcon e a defesa de Trum
O deputado Mauricio Marcon (Podemos-RS) foi mais direto, comemorando o ataque: “Eu amo esse cara. Que bênção ter Trump como presidente americano. Obrigado, Deus, por ter salvo a sua vida”, publicou ao compartilhar o vídeo com o pronunciamento do republicano.
Histórico de alinhamento
A oposição já havia condenado a nota do Itamaraty após a ofensiva israelense contra o Irã no último dia 13. Na ocasião, o governo petista disse que a ação era uma “clara violação” da soberania iraniana e do direito internacional.
Além disso, Lula acusou Israel de “genocídio” contra o povo palestino reiteradas vezes desde o início do conflito entre Hamas e Israel, em outubro de 2023. Por isso, foi declarado “persona non grata” por Israel em 2024, depois de comparar a resposta israelense contra o Hamas às mortes no Holocausto.
Críticas no G7
Na cúpula do G7, Lula voltou a criticar Israel pela “matança indiscriminada de milhares de mulheres e crianças” na Faixa de Gaza e apontou que o recente conflito entre Irã e Israel pode ter impactos globais: “Os recentes ataques de Israel ao Irã ameaçam fazer do Oriente Médio um campo de batalha global, com consequências inestimáveis”, declarou, divergindo do tom adotado pelos países do G7.
Proximidade com ditadore
As críticas à condução da política externa se agravaram quando Lula participou das comemorações dos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial em Moscou e se reuniu com o ditador russo Vladimir Putin. O evento teve a presença de ao menos 20 representantes de países autoritários, como os presidentes de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e da Venezuela, Nicolás Maduro.
Ao rebater as críticas, Lula disse que a viagem serviu para reforçar o multilateralismo. Ele também tentou emplacar um acordo com a China para o cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia — sem sucesso — e pediu que Putin participasse pessoalmente das negociações com o ucraniano Volodymyr Zelensky em Istambul, o que não ocorreu.
Democracia e censura
Eleito com um discurso em defesa da democracia, Lula também pediu ao ditador chinês Xi Jinping que enviasse um assessor para debater a regulação das redes sociais no Brasil, com foco no TikTok. Na China, redes como Google, Facebook e YouTube são banidas, e o TikTok (Douyin) segue rígidas regras de censura e vigilância.
Análise do editor
A postura do governo Lula escancara uma política externa cada vez mais alinhada a regimes autoritários e distantes das democracias ocidentais. Essa aproximação, além de corroer a imagem do Brasil no exterior, levanta questionamentos urgentes sobre a coerência entre o discurso democrático e a prática diplomática do atual governo.
Fonte: Gazeta do Povo
