Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma declaração explosiva ao comparar a situação do Brasil ao final do governo Jair Bolsonaro (PL) à destruição provocada pela guerra na Faixa de Gaza. A fala ocorreu durante a gravação do podcast Mano a Mano, no último domingo (15), no Palácio da Alvorada.

Lula não poupou críticas ao antecessor e afirmou ter herdado um país “semidestruído”, com ministérios desmantelados de forma intencional. Segundo ele, Bolsonaro rejeitava estruturas que fortalecessem a sociedade civil. “De vez em quando, olho para a destruição na Faixa de Gaza e fico imaginando o Brasil que encontramos. Aqui a gente não tinha mais Ministério do Trabalho, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos, da Cultura. Foi uma destruição proposital”, disparou o presidente.

“Negava tudo”, diz Lula sobre Bolsonaro

Durante a entrevista, Lula ampliou o ataque e vinculou Bolsonaro a movimentos antidemocráticos em outros países. “Tivemos um presidente que negava tudo. Negava a democracia, como está negando agora na Hungria, nos Estados Unidos, na Argentina. Precisamos reconstruir isso”, afirmou.

Segundo o petista, sua gestão atual tem como missão restaurar políticas públicas abandonadas e retomar a capacidade administrativa do Estado. O tom da fala revela a estratégia do governo de reforçar a ideia de reconstrução frente ao desmonte do período anterior.

O pano de fundo: guerra em Gaza

A comparação feita por Lula ganhou ainda mais peso ao mencionar o conflito entre Israel e Hamas, que já dura mais de um ano. Desde os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023, a ofensiva israelense matou mais de 36 mil pessoas, segundo números do próprio Hamas — contestados por falta de transparência. A escalada militar transformou Gaza em um território devastado, com crise humanitária e bloqueios severos à ajuda internacional.

Análise

A fala de Lula tem força simbólica e política. Ao comparar o Brasil bolsonarista a uma zona de guerra, o presidente não só demarca posição ideológica, como busca galvanizar sua base com a narrativa da reconstrução. É uma retórica de alto impacto, que tensiona ainda mais a polarização política no país.

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