Ex-presidente teria definido alvos e estratégias de monitoramento ilegal para proteger aliados e atacar opositores, segundo investigação da Polícia Federal

Um novo capítulo da crise institucional envolvendo o uso da inteligência do Estado veio à tona nesta quarta-feira (18). A Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi o centro de comando de uma estrutura clandestina que operava dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O relatório final, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que Bolsonaro e seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro, definiram alvos e estratégias de espionagem ilegal com fins políticos.
Segundo os investigadores, o objetivo principal do grupo era proteger o núcleo familiar e político de Bolsonaro, promover ataques ao sistema eleitoral e enfraquecer adversários. A atuação da chamada “Abin paralela” teria sido instrumentalizada para gerar dossiês, interferir em investigações e minar instituições democráticas.
Centro de decisões
De acordo com a PF, Bolsonaro era o “centro decisório” do esquema e o principal beneficiário das vantagens ilícitas. Já Carlos Bolsonaro é citado como o “idealizador” da estrutura de inteligência paralela, atuando diretamente na coordenação das ações ilegais e no direcionamento das informações produzidas.
As operações clandestinas também teriam mirado em figuras públicas e instituições. O relatório afirma que houve ações de monitoramento com o propósito de influenciar investigações contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Jair Renan, filho 04 do ex-presidente, investigado por suspeita de tráfico de influência.
Seis núcleos de atuação
A investigação foi dividida em seis núcleos operacionais: político, comando e alta gestão, ações clandestinas, inteligência técnica, fake news e obstrução de justiça. O núcleo político, conforme o documento, era composto por Jair e Carlos Bolsonaro, considerados os beneficiários diretos da estrutura.
No total, 36 pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal. O relatório detalha uma engrenagem coordenada que, ao longo de anos, teria desvirtuado funções institucionais da Abin para atender interesses privados.
Acesso público e repercussão
O relatório, que possui 1.125 páginas, teve o sigilo retirado por determinação do ministro Alexandre de Moraes. A expectativa é que o conteúdo influencie diretamente as decisões sobre processos já em curso no STF envolvendo membros do antigo governo.
Até o fechamento desta matéria, a defesa de Jair Bolsonaro ainda não havia se manifestado.
Fonte: Bem Paraná
